Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para a menopausa

Foto: Pixabay

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Veoza, medicamento à base de fezolinetanto, para o tratamento de ondas de calor e suores noturnos moderados a intensos associados à menopausa. A autorização abre uma nova alternativa terapêutica no Brasil para mulheres que convivem com sintomas vasomotores nessa fase da vida.

A novidade não é uma reposição hormonal. O medicamento atua em uma via cerebral ligada ao controle da temperatura corporal, bloqueando a ação da neurocinina B em alvos específicos no cérebro. Com isso, ajuda a reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos e dos episódios de suor noturno.

Na prática, o tratamento mira um dos sintomas mais incômodos da menopausa. As ondas de calor podem surgir de forma repentina, provocar suor intenso, vermelhidão, desconforto, palpitações e piora do sono. Para muitas mulheres, o problema interfere no trabalho, na vida social, no descanso e na rotina familiar.

Segundo a Anvisa, estudos demonstraram que, em quatro semanas de tratamento, o medicamento reduziu em média 53% das ondas diárias de calor. A intensidade dos sintomas também foi menor entre as mulheres que receberam o fezolinetanto em comparação com as que usaram placebo.

O Veoza é desenvolvido pela Astellas Farma. A farmacêutica informou que a aprovação brasileira foi baseada no programa clínico Bright Sky, que reuniu três estudos de fase 3 com mais de 3 mil participantes na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá.

Apesar da aprovação, o medicamento não deve ser usado sem avaliação médica. Como qualquer tratamento, a indicação depende do histórico da paciente, intensidade dos sintomas, contraindicações, uso de outros medicamentos e acompanhamento profissional. Em outros mercados, autoridades sanitárias já recomendaram atenção ao monitoramento da função hepática em pacientes que usam fezolinetanto, por relatos de alterações em enzimas do fígado.

A chegada do remédio ao Brasil não elimina outras possibilidades de cuidado, como terapia hormonal, mudanças de estilo de vida e tratamentos individualizados. O ponto central é que a aprovação amplia o cardápio terapêutico para mulheres que não podem, não desejam ou não têm boa resposta a determinadas abordagens hormonais.

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