Neste sábado (11/4), a governadora Celina Leão afirmou, durante participação no podcast Vozes da Comunidade, que não participou das decisões que levaram o BRB ao atual momento de tensão, mas assumiu a responsabilidade de buscar uma saída para o banco.
Na entrevista, Celina sustentou que a proposta apresentada ao BRB para aquisição de parte dos ativos ligados ao caso pode melhorar a condição de liquidez da instituição, embora não represente, segundo ela, uma solução simples ou definitiva.
A governadora também cobrou mais apoio institucional e reforçou que tem legitimidade para tratar do assunto porque, nas palavras dela, não participou dos atos que levaram o banco a essa situação. 
Na entrevista, Celina disse que o problema “cai sobre a nossa responsabilidade de ajudar agora a resolvê-lo” e reforçou que, embora não tenha sido consultada nem participado de decisão “direta ou indireta”, cabe ao governo agir diante da crise. Em outro trecho, resumiu a posição com uma frase direta: “eu também não fui eu que criei isso não, eu não participei disso não, mas eu sou responsável.”
A governadora detalhou que já existe uma proposta formal apresentada ao BRB para compra de parte dos ativos, no montante de R$ 15 bilhões. Segundo ela, R$ 4 bilhões seriam pagos à vista, em até 30 dias, e os outros R$ 11 bilhões seriam vinculados à recuperação desses ativos ao longo do tempo. Celina explicou que a medida não resolveria todos os problemas do banco, mas melhoraria a liquidez e abriria espaço para outras soluções em paralelo.
Ao longo da fala, a governadora também afirmou que o presidente do BRB deve encaminhar a proposta ao Banco Central, mesmo tratando-se de uma relação privada, para dar mais transparência ao processo. Ela citou ainda investigações em andamento da Polícia Federal e do Ministério Público e defendeu que a operação seja analisada com clareza institucional.
Celina aproveitou a entrevista para criticar o que chamou de isolamento do BRB por parte do governo federal. Segundo ela, bancos privados voltaram a operar normalmente com a instituição brasiliense, mas não houve, até agora, um gesto equivalente de apoio público. Nesse ponto, afirmou que o momento exige senso de dever e responsabilidade por parte de quem está hoje à frente do governo.
Entre outros assuntos abordados no podcast, Celina também anunciou que prepara um decreto de corte de gastos no Governo do Distrito Federal. Segundo ela, o ajuste deve atingir despesas como aluguéis, contratos de locação de veículos, além de reflexos sobre gastos com combustível, com o objetivo de preservar recursos para áreas consideradas essenciais. 
A governadora afirmou ainda que não pretende fazer um corte linear em todas as secretarias. De acordo com a explicação apresentada por ela, algumas áreas deverão sofrer redução maior, enquanto outras podem até receber mais recursos, conforme a prioridade de cada política pública. A lógica, segundo Celina, é enxugar contratos e despesas administrativas para concentrar dinheiro no que considera fundamental para a população. 
No mesmo bloco da entrevista, ela citou a criação da Secretaria de Inovação Tecnológica e de Tecnologia (SUTIC) como parte dessa estratégia de reorganização. A ideia, segundo explicou, é evitar compras repetidas de softwares e sistemas por diferentes órgãos do governo, reduzindo desperdícios e melhorando a integração de dados da administração pública. Celina afirmou que, em cerca de um mês, pretende promover um corte forte também nessa frente. 








