Nesta semana, o Distrito Federal passou a contar com um reforço tecnológico no combate à dengue e a outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti: drones estão sendo usados para mapear focos do mosquito e tratar criadouros em áreas de difícil acesso, ampliando a capacidade de resposta das equipes de saúde em todo o território.
Na prática, os equipamentos sobrevoam regiões que, historicamente, registram maior número de casos de dengue, chikungunya e zika. A bordo, uma câmera faz milhares de fotos em alta resolução, que depois são “costuradas” em grandes imagens panorâmicas, as chamadas ortofotos. É a partir desse mosaico aéreo que são identificados telhados, lajes, caixas d’água, calhas e outros recipientes com potencial de acumular água parada e servir de criadouro para o mosquito.
Essas imagens são enviadas às equipes de Vigilância Ambiental em Saúde, que usam os dados para planejar operações em solo. O mapa de risco indica exatamente onde concentrar as visitas dos agentes, otimizando tempo, pessoal e insumos. Em vez de varrer bairros inteiros de forma genérica, as equipes passam a atuar de maneira cirúrgica nos pontos considerados mais críticos.
Os drones também podem ir além da simples identificação de focos. Em determinadas situações, eles são usados para aplicar larvicida diretamente em recipientes que não podem ser acessados com segurança por equipes em terra, como lajes muito altas ou locais com risco estrutural. O produto é levado em pequenos invólucros solúveis em água, dimensionados conforme o volume do recipiente. Ao entrar em contato com a água parada, o material se dissolve e libera o inseticida, interrompendo o ciclo de desenvolvimento do Aedes.
O uso da tecnologia, no entanto, segue critérios técnicos bem definidos. O mapeamento aéreo é direcionado principalmente para áreas com maior incidência de casos, alto índice de infestação pelo mosquito e registros preocupantes no Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), além da quantidade de ovos capturados em ovitrampas. Não se trata de um serviço sob demanda para qualquer endereço, mas de uma ferramenta planejada por biólogos e especialistas da Vigilância Ambiental para complementar o trabalho de rotina.
Paralelamente aos drones, a Secretaria de Saúde mantém outras frentes de combate à dengue. Entre elas estão a ampliação das estações disseminadoras de larvicidas (EDLs) em áreas residenciais, o uso de mosquitos inoculados com a bactéria Wolbachia, os chamados “wolbitos”, que reduzem a capacidade de transmissão de vírus como dengue, zika e chikungunya, e a instalação de novas armadilhas ovitrampas para monitorar a presença do vetor.







