Nesta terça-feira (4/8), o Distrito Federal passou a contar com uma célula integrada de inteligência criada para acompanhar possíveis ameaças e proteger a normalidade das eleições de 2026.
A estrutura, prevista inicialmente para ser instalada em 16/8, teve o início antecipado após a Operação Rede Interrompida, que alcançou oito investigados por discussões relacionadas a possíveis ações violentas na capital federal durante o período eleitoral.
O secretário interino de Segurança Pública do Distrito Federal, Alexandre Patury, em entrevista ao Acorda DF, detalhou com exclusividade como será o funcionamento da nova estrutura. Patury ocupa interinamente o comando da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF).
Segundo o secretário, uma reunião com 22 órgãos distritais e federais já estava programada para esta terça-feira. Representantes do Poder Judiciário e do Ministério Público também participariam das discussões sobre o planejamento integrado de inteligência para as eleições.
Com a deflagração da Operação Rede Interrompida, a instalação da célula foi antecipada e começou no mesmo dia. O grupo permanecerá em funcionamento até o encerramento do processo eleitoral, com encontros presenciais ou virtuais e comunicação permanente entre as instituições envolvidas.
“A operação de hoje é proveniente de um trabalho conjunto do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Civil do Distrito Federal. Não é resultado da célula”, esclareceu Patury ao Acorda DF.
De acordo com Patury, o objetivo é manter o monitoramento contínuo, facilitar a troca de informações e garantir capacidade de resposta imediata diante de qualquer situação que possa comprometer a segurança de Brasília ou a normalidade das eleições.
A Operação Rede Interrompida foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos, localizados em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. As diligências foram cumpridas com o apoio das Polícias Civis dos respectivos estados.
Segundo a corporação, as comunicações analisadas mencionavam Brasília repetidamente como destino de uma mobilização prevista para o período eleitoral. Os investigadores identificaram discussões sobre invasões de edifícios, seleção de alvos, formação tática, recrutamento em diferentes estados e análise de prédios da região central da capital.
Também foram encontrados compartilhamentos de mapas, plantas arquitetônicas, modelos tridimensionais de edificações e manuais para a fabricação de artefatos explosivos. As medidas cautelares buscam apreender dispositivos eletrônicos, preservar provas e esclarecer o nível de organização e o estágio das ações discutidas.
Apesar da suspeita de preparação de ações violentas em Brasília, a PCDF informou que o caso não está enquadrado, neste momento, na Lei de Terrorismo. O inquérito apura, em tese, associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e infrações previstas na legislação antirracismo.
A eventual responsabilização dos investigados dependerá da análise pericial do material apreendido e da conclusão do inquérito. As investigações seguem sob sigilo





