DF registra primeiro caso de raiva em cão em 26 anos

Foto: Prefeitura de Porto Velho/Divulgação

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) confirmou um caso de raiva em um cão no Lago Norte. O animal apresentou os primeiros sinais da doença em 23 de julho, morreu seis dias depois e teve o diagnóstico confirmado por exames laboratoriais. O caso é o primeiro registrado em cães no DF desde 2000.

A informação foi divulgada na quinta-feira (13/8) pela Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses (GVAZ). Dois outros casos suspeitos de raiva em animais no Lago Oeste estavam sendo investigados, mas foram descartados.

Segundo a Secretaria de Saúde, o vírus da raiva ainda circula de forma esporádica entre animais silvestres e de produção, principalmente morcegos e herbívoros. O DF também não registra casos confirmados de raiva em gatos desde 2001.

De acordo com os responsáveis pelo cão, o animal tinha contato com fauna silvestre e/ou sinantrópica. Eles também relataram que o cachorro havia sido vacinado contra a raiva no ano passado, durante uma campanha da SES-DF. No entanto, não foi apresentado comprovante da vacinação.

Sintomas e confirmação

Os primeiros sinais foram percebidos em 23 de julho, quando o cão apresentou mudança repentina de comportamento, apatia e falta de interesse pela comida. O quadro evoluiu para sintomas neurológicos, incluindo paralisia dos músculos da face. O animal morreu em 29 de julho.

Após a morte, o corpo foi recolhido pela GVAZ e levado ao Laboratório de Patologia Veterinária da Universidade de Brasília (LPV-UnB). Exames identificaram alterações compatíveis com encefalite viral. O teste de imuno-histoquímica deu positivo para raiva e negativo para cinomose. O resultado foi divulgado em 10 de agosto.

Uma amostra do sistema nervoso central também foi analisada pela Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival), que confirmou a presença do vírus por meio de exame de imunofluorescência direta. Uma prova biológica ainda está em andamento.

Parte da amostra foi encaminhada ao Instituto Pasteur para genotipagem. O procedimento deve ajudar a identificar a variante do vírus e contribuir para a investigação sobre a origem e a circulação da doença.

Medidas de controle

Após a confirmação do caso, a GVAZ realizou uma investigação epidemiológica e adotou medidas de vigilância e controle. Pessoas que tiveram contato com o animal iniciaram a profilaxia pós-exposição, conforme avaliação dos serviços de saúde.

Animais que tiveram contato com o cão também começaram medidas de profilaxia e permanecem sob acompanhamento da vigilância ambiental.

A SES-DF iniciou ainda um bloqueio de vacinação antirrábica na região do Lago Norte. A ação inclui orientações à população sobre prevenção, vacinação de cães e gatos e cuidados com animais que apresentem sinais suspeitos.

Vacinação antirrábica

A Campanha Nacional de Vacinação Antirrábica Animal de 2026 será realizada no Distrito Federal nos dias 15, 22 e 29 de agosto. A vacinação de cães e gatos é gratuita.

Além dessas datas, a SES-DF informou que haverá vacinação de segunda a sábado até o fim do mês em pontos de atendimento no DF.

Os locais incluem unidades de vigilância ambiental em Brazlândia, Ceilândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Paranoá, Planaltina, Plano Piloto, Recanto das Emas, Samambaia, Santa Maria, Sobradinho e Taguatinga.

No Plano Piloto, a vacinação ocorre na Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival), no Noroeste, de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h, e aos sábados e domingos, das 8h às 17h. Nos demais locais, os horários variam conforme a unidade.

A Secretaria orienta que moradores não se aproximem nem manipulem animais domésticos ou silvestres que apresentem comportamento anormal, sinais neurológicos ou outras alterações suspeitas.

Em caso de mordida, arranhadura ou contato com um animal suspeito, a recomendação é lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar uma unidade de saúde para avaliação.

As ações de vigilância, vacinação, educação em saúde e monitoramento de animais continuam na região do Lago Norte para reduzir o risco de transmissão da doença e proteger a população.

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