A apuração dos votos das eleições de 2026 deverá entrar para a história também pelo aspecto ambiental. Pela primeira vez, a estrutura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) responsável pelo processamento dos resultados utilizará energia integralmente compensada por uma fonte limpa.
A iniciativa é conduzida pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), em parceria com a CEB Participações S.A. (CEB Par). As empresas constituíram um consórcio para projetar, financiar, construir, operar e administrar a usina fotovoltaica destinada ao tribunal.
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno para as disputas de presidente da República e governadores ocorrerá em 25/10.
“Será a primeira vez que as eleições serão realizadas pelo TSE com energia limpa”, afirmou o presidente da Terracap, Júlio César de Azevedo Reis, em entrevista exclusiva ao Acorda DF.
Uma publicação oficial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) também confirma que a apuração do resultado das eleições deste ano será realizada com uso integral de energia limpa.
Como funcionará
A eletricidade produzida pela usina será inserida na rede de distribuição. A geração resultará em créditos utilizados para compensar o consumo de energia do TSE, modelo conhecido como geração distribuída.
Isso não significa que cada urna eletrônica ou seção eleitoral do país será abastecida diretamente pela usina da Terracap. O projeto está relacionado ao consumo institucional do TSE, especialmente à estrutura utilizada para receber, processar e totalizar os resultados.
Em apresentação exibida ao Acorda DF, a Terracap informou que o contrato do consórcio já foi assinado. Em 7 de Agosto, a construção apresentava avanço físico de 89,32% e situação classificada como normal.
O empreendimento marca também uma mudança na atuação da empresa pública. Historicamente associada à venda de terrenos e à regularização fundiária, a Terracap passou a investir na geração de energia e na oferta de soluções para órgãos públicos.
“A Terracap não é apenas uma vendedora de lotes”, destacou Júlio César Reis. Segundo o presidente, a empresa pretende usar o patrimônio imobiliário e a capacidade de investimento para abrir novas frentes de negócio.
A parceria com a CEB já alcança outros órgãos do Judiciário, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho da Justiça Federal (CJF). O modelo permite compensar despesas com eletricidade e ampliar o uso de fontes renováveis na administração pública.
Mais do que abastecer uma instalação, a usina insere a sustentabilidade em uma das operações tecnológicas mais importantes do país. Em outubro, enquanto mais de 158 milhões de eleitores acompanham a totalização dos votos, parte da estrutura responsável por revelar o resultado nacional funcionará com créditos produzidos pelo sol de Brasília.






