Os rodoviários do Distrito Federal entram em greve por tempo indeterminado a partir da zero hora desta segunda-feira (28/9).
A decisão foi tomada depois que a categoria, representada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Terrestres do DF, rejeitou a proposta apresentada pelas empresas de ônibus no sábado (26/9).
Os trabalhadores pedem reajuste salarial de 8%, aumento de 10% no auxílio-alimentação e de 12% no plano de saúde. As empresas ofereceram 6% nos salários, 7% no vale-refeição e na cesta básica, 11,88% no plano de saúde e odontológico, seguro de vida dobrado, de R$ 24 mil para R$ 48 mil, manutenção do posto de cobrador e pagamento retroativo a 1º de agosto na folha de outubro.
“Infelizmente, as empresas não apresentaram propostas para encerrar [a greve]”, afirmou o representante sindical José Cabral Filho.
Em nota, as concessionárias afirmam que o reajuste oferecido supera a inflação do período, de 4,11%, e que o salário dos motoristas subiu 151% desde o início dos contratos, de R$ 1.607,05 para R$ 4.034,60, enquanto a inflação acumulada foi de 97%.
Segundo as empresas, houve mais de dez rodadas de negociação, com propostas por escrito e ofertas ampliadas ao longo do processo. “Quem mais perde com a paralisação é a população”, diz o texto, citando trabalhadores, estudantes, pacientes e idosos que dependem do ônibus.
Neste domingo (27/9), o desembargador Dorival Borges de Souza Neto, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), determinou que o sindicato mantenha 80% da frota em circulação nos horários de pico, das 5h30 às 9h e das 17h às 20h, e 50% nos demais períodos.
Nos dias de eleição, 4 e 25 de outubro, deve ser cumprida a tabela horária completa de dia útil.
A decisão proíbe o sindicato de promover ou tolerar bloqueios nas garagens ou qualquer impedimento à saída dos ônibus. A multa por descumprimento é de R$ 100 mil por hora, e dobra para R$ 200 mil em caso de reincidência.
O Governo do Distrito Federal classificou a greve como “político-eleitoreira” e acionou a Justiça do Trabalho. O pedido do Palácio do Buriti era mais rígido do que o concedido: 100% da frota no pico e 80% nos demais horários.
Em nota, o governo afirmou reconhecer “o legítimo direito dos trabalhadores de lutar por suas reivindicações salariais”, mas acusou o presidente do sindicato de apoiar “abertamente um adversário eleitoral” e de dar ao movimento caráter político-partidário, a uma semana do primeiro turno, em 4 de outubro. O GDF diz que as negociações ocorrem desde julho e que mais de dez propostas foram apresentadas, e classificou a postura do sindicato como “intransigência injustificada”.







