O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a prisão preventiva de Pedro Arthur Turra, de 19 anos, acusado de lesão corporal grave contra um adolescente. Ao mesmo tempo, a Justiça determinou a revisão das condições em que o jovem está custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP), após transferência para o Complexo da Papuda.
A decisão é do desembargador Diaulas Costa Ribeiro, que negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Apesar disso, o magistrado estabeleceu prazo de cinco dias para que a direção do CDP informe se há necessidade de manter Pedro Turra em cela individual, isolado dos demais detentos. Segundo o desembargador, o acusado não tem direito à prisão especial, mas deve ter garantida a integridade física enquanto estiver preso.
Pedro Turra está detido desde a sexta-feira (30/1), após decisão da 2ª Vara Criminal de Taguatinga. No despacho, o desembargador destacou a gravidade do caso e afirmou que há indícios de tentativa de interferência no processo, como a orientação de testemunhas para sustentar uma versão de legítima defesa. Para a Justiça, esse comportamento indica risco à ordem pública e à apuração dos fatos, o que justifica a manutenção da prisão preventiva.
O magistrado também retirou o sigilo do habeas corpus, mantendo restrição apenas sobre documentos específicos. Já o segredo de Justiça permanece nas investigações, com o objetivo de preservar o interesse público.
A defesa alegou que a prisão não se baseia em fatos novos, apontou residência fixa, ausência de antecedentes e colaboração com a Justiça, além de risco à integridade física do acusado no sistema prisional. O advogado Eder Fior afirmou que Pedro teria sido ameaçado por um policial penal e por outros detentos, motivo pelo qual a Justiça determinou, inicialmente, a permanência em cela individual e a apuração das denúncias.
Entenda o caso
O episódio ocorreu na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF), quando Pedro Turra e um adolescente de 16 anos se envolveram em uma briga. Imagens registradas por testemunhas mostram agressões entre os dois. Em determinado momento, Pedro desfere um soco que faz o jovem bater a cabeça em um carro.
O adolescente foi socorrido em estado grave e levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde permanece internado na UTI, intubado. Ele chegou a vomitar sangue durante o atendimento. Pedro Turra deve responder por lesão corporal grave, mas a classificação do crime pode mudar conforme a evolução do estado de saúde da vítima.
Em depoimento, o ex-piloto afirmou que não teve intenção de causar ferimentos graves e disse que tentou apenas se defender. Ele também pediu perdão ao adolescente e à família.
Com a repercussão do caso, surgiram relatos de outras ocorrências envolvendo Pedro Turra, como denúncias de agressão, uma briga de trânsito e uma acusação de coação para que uma adolescente ingerisse bebida alcoólica. A defesa sustenta que esses episódios foram utilizados para justificar a manutenção da prisão e aponta demora no registro formal dessas acusações.






