A Justiça do Distrito Federal decidiu manter presos por mais 30 dias três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento na morte de pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga. A prorrogação da prisão temporária foi autorizada pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) após pedido da Polícia Civil e foi divulgada nesta terça-feira (10/2).
Continuam detidos Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22. Eles já estavam presos há 30 dias e agora permanecerão sob custódia pelo mesmo período enquanto as investigações seguem.
As apurações indicam que os acusados teriam aplicado doses muito acima do recomendado de medicamentos em pacientes internados, o que teria provocado paradas cardíacas. Três pessoas morreram: João Clemente Pereira, de 63 anos; Marcos Moreira, de 33; e Miranilde Pereira da Silva, de 75. Segundo a polícia, as doses aplicadas chegavam a ser até dez vezes maiores que o indicado, tornando os medicamentos tóxicos. Em uma das situações investigadas, desinfetante teria sido administrada ao paciente.
Imagens obtidas durante a investigação mostram os técnicos aplicando os medicamentos nas vítimas. O caso é apurado no âmbito da Operação Anúbis, que segue em andamento. A expectativa da Polícia Civil é concluir o inquérito nas próximas semanas, após a análise de laudos periciais e a consolidação dos depoimentos.
A investigação teve início após o próprio Hospital Anchieta comunicar às autoridades a existência de situações consideradas fora do padrão envolvendo os pacientes. Em nota, a instituição informou que abriu apuração interna por iniciativa própria e reafirmou que colabora integralmente com a polícia.
A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada em 11 de janeiro, quando dois investigados foram presos temporariamente. Na ocasião, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO). Materiais recolhidos durante as diligências seguem sob análise.
A Polícia Civil busca esclarecer como ocorreram as mortes, qual foi a atuação de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas. As defesas dos investigados afirmam que os clientes são inocentes e destacam que o caso ainda está em fase de apuração.







