O laudo cadavérico da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) confirmou que Erick Sousa Soares, de 12 anos, morreu após sofrer uma descarga elétrica em um trailer de lanches no Itapoã. O acidente aconteceu em 24 de julho, quando o menino tentou pegar uma bola que havia caído embaixo do veículo.
A perícia identificou irregularidades na instalação elétrica do trailer. Segundo o delegado Bruno Carvalho, da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), uma tomada apresentava fuga de eletricidade, o que deixou toda a estrutura metálica do veículo energizada. A descarga poderia chegar a 200 volts.
Os investigadores também descobriram que o trailer era ligado a uma tomada residencial por meio de uma extensão que passava pelo meio da rua. Tanto a extensão quanto a tomada não tinham aterramento ou outros dispositivos de segurança.
De acordo com a investigação, testemunhas afirmaram que o trailer estava conectado à energia no momento do acidente. Elas também relataram que outras pessoas já haviam levado pequenos choques ao encostar no veículo. Segundo o delegado, o proprietário tinha conhecimento dos problemas elétricos.
“A sucessão de erros, todos esses fatores associados levam a uma responsabilização criminal do proprietário do trailer. Agora, a investigação segue no sentido de definir se esses elementos são capazes de configurar dolo ou culpa”, afirmou Bruno Carvalho.
O incidente
Erick brincava com amigos na rua quando a bola foi parar embaixo do trailer. Ao tentar recuperá-la, recebeu a descarga elétrica. O choque provocou queimaduras graves, principalmente na região do pescoço e dos ombros, e uma parada cardiorrespiratória.
Em depoimento à polícia, o proprietário afirmou que não presenciou o momento do acidente. Ele disse ter ouvido comentários de que Erick poderia ter levado um choque, mas afirmou não saber o que havia acontecido. O homem também declarou que o trailer não estava energizado e que a extensão estaria desconectada no momento do acidente.
A perícia, porém, encontrou evidências de fuga de eletricidade na estrutura do veículo. A investigação continua para definir se a responsabilidade criminal do proprietário será caracterizada como dolo ou culpa.
Erick foi sepultado em 26 de julho, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.







