Laudo médico indica que socos causaram a morte de Rodrigo Castanheira

Divulgação/Senac-DF

Um laudo médico apresentado pela família de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, concluiu que a morte do adolescente foi causada diretamente pelos socos que ele recebeu durante a briga. O documento afirma que as lesões não foram provocadas por uma possível batida da cabeça em um carro, hipótese que havia sido considerada inicialmente nas investigações.

O parecer foi elaborado pelo médico Fábio Teixeira Giovanetti Pontes e anexado ao processo nesta semana. Com base no documento, a família da vítima pediu à Justiça a ampliação da denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), além da realização de uma perícia especializada nas imagens da agressão e de uma análise biomecânica para verificar se houve uso de algum objeto durante o ataque.

De acordo com o laudo, todas as lesões que levaram à morte do jovem estavam concentradas no lado esquerdo da cabeça. Segundo o médico, esse tipo de dano é compatível com trauma causado por golpes diretos, e não por contragolpe — que ocorreria caso a cabeça tivesse batido em algum objeto após a queda.

A análise também aponta que as fraturas e o hematoma observados indicam agressões repetidas. O documento cita estudos que mostram que a força necessária para causar fratura linear no crânio pode ser compatível com socos de alta intensidade.

O laudo ainda levanta a possibilidade de que o agressor tenha utilizado algum instrumento contundente, como um soco inglês. A suspeita surgiu após a avaliação do exame de corpo de delito feito no investigado, no qual não foram identificadas lesões nas mãos ou nos punhos, mesmo após a realização de vários golpes.

Para o médico, a ausência de ferimentos nas mãos do suspeito seria incomum em uma agressão capaz de provocar fratura no crânio, o que poderia indicar o uso de algum objeto que amplifique a força do impacto. Apesar disso, o próprio documento afirma que não é possível confirmar essa hipótese apenas com os dados analisados, sendo necessária uma perícia específica nas imagens da briga.

O assistente de acusação da família também solicitou a reabertura das investigações sobre outras pessoas que estavam no veículo com o réu no momento da agressão.

Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, responde ao processo por homicídio doloso qualificado por motivo fútil. Ele está preso preventivamente desde 2 de fevereiro no Complexo Penitenciário da Papuda. No dia da prisão, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa dele e encontrou um soco inglês e facas.

A agressão ocorreu na madrugada de 23 de janeiro de 2026, no Distrito Federal. Rodrigo foi socorrido em estado grave, passou por cirurgia e ficou internado por mais de duas semanas. A morte encefálica do adolescente foi confirmada em 7 de fevereiro.

Inicialmente investigado como lesão corporal gravíssima, o caso foi reclassificado como homicídio após a morte do jovem. Além da responsabilização criminal, o Ministério Público também pediu que o réu pague R$ 400 mil por danos morais à família da vítima.

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