Na quinta-feira (2/7), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apresentou o Projeto Orfeu, iniciativa criada para ampliar a identificação de pessoas desaparecidas por meio da reanálise biométrica de cadáveres que permanecem sem identificação ou que foram identificados apenas na esfera criminal.
A proposta utiliza tecnologias atuais e integração de bancos de dados para revisitar casos antigos e oferecer novas respostas a familiares.
A iniciativa parte de um desafio comum nas investigações de desaparecimento: muitos exames realizados há anos foram produzidos com recursos tecnológicos limitados para a época. Com o avanço dos sistemas de identificação biométrica, tornou-se possível reprocessar essas informações e comparar os registros com bases de dados estaduais e federais, aumentando as chances de reconhecimento das vítimas.
Segundo a PCDF, o projeto já apresentou resultados concretos. Até o momento, 117 identidades foram recuperadas após a reavaliação de 409 casos, demonstrando o potencial da tecnologia para solucionar ocorrências que permaneceram sem resposta por longos períodos.
Além de auxiliar investigações, o Projeto Orfeu busca fortalecer as políticas públicas voltadas às pessoas desaparecidas. A identificação permite não apenas esclarecer casos antigos, mas também oferecer às famílias informações sobre o destino de parentes desaparecidos, encerrando anos de incerteza.
Como parte da iniciativa, a Polícia Civil também estruturará um Banco Biométrico de Cadáveres Não Identificados, que reunirá registros revisados continuamente. A proposta é criar um sistema permanente de atualização tecnológica, permitindo que novas ferramentas de identificação sejam incorporadas sempre que houver avanços científicos.
Quando uma identificação for confirmada e os familiares localizados, a comunicação será feita oficialmente pela PCDF. A corporação também informará o local onde a pessoa foi sepultada, ficando a administração do cemitério responsável por fornecer as informações relacionadas à localização específica.
Para a Polícia Civil, o projeto representa um avanço na aplicação de tecnologia à investigação criminal e na integração entre bancos de dados, ampliando a capacidade de solucionar casos históricos de desaparecimento e reduzir o número de pessoas que permanecem sem identificação no Distrito Federal.








