Nesta sexta-feira (10/04), uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal avançou sobre uma organização investigada por abastecer o mercado de drogas na capital e por movimentar recursos por meio de um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro.
Ao todo, a ofensiva foi às ruas para cumprir 96 mandados judiciais no Distrito Federal e em outros estados.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que a ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), dentro da Operação Eixo. Nessa etapa, a Justiça autorizou 40 prisões temporárias, com prazo de 30 dias, e mandados de busca e apreensão em 56 endereços. Cerca de 200 policiais civis participaram do trabalho.
Além das ordens de prisão e busca, a operação mirou o patrimônio dos investigados. Segundo a corporação, houve determinação de indisponibilidade de bens de 49 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, além de bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas, ações custodiadas na CVM, criptoativos, veículos e três imóveis.
Os mandados foram cumpridos em áreas do Distrito Federal, como Gama, Samambaia, Itapoã, Sobradinho, Santa Maria e Vicente Pires, e também em cidades de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná e Santa Catarina. A operação contou com apoio de polícias civis de outros estados, da Polícia Penal do DF e da Divisão de Operações Especiais (DOE) da PCDF.
A investigação teve início em 2024, a partir de apurações da 13ª Delegacia de Polícia, em Sobradinho, e apontou a existência de uma engrenagem criminosa voltada ao envio de entorpecentes de outros estados para o DF. Segundo a polícia, o grupo também mantinha uma estrutura financeira desenhada para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
De acordo com o inquérito, os investigadores identificaram dois núcleos principais de atuação no Distrito Federal, ligados a grupos rivais. Um dos alvos teria papel relevante na logística de remessa de drogas para abastecer o comércio ilegal local. As apurações também indicaram conexões com ambientes criminosos armados fora do DF. Em um dos episódios citados pela polícia, três investigados saíram da capital para uma comunidade do Rio de Janeiro, onde teriam recebido treinamento no uso de armas de grosso calibre, como fuzis. 
Na parte financeira, a investigação descreve uma rede de lavagem de dinheiro com uso de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, saques em espécie, transferências padronizadas e plataformas de criptoativos. Segundo a PCDF, uma única conta investigada movimentou mais de R$ 79 milhões em curto período. 
A apuração alcançou ainda investigados estrangeiros. Entre os nomes citados estão dois colombianos e um venezuelano, apontados como peças importantes na engrenagem logística e financeira do grupo. Um dos colombianos, segundo a polícia, já havia sido alvo de investigação da Polícia Federal, estava em difusão vermelha da Interpol e foi preso recentemente na Espanha. 
A polícia também relaciona o caso a um episódio de agosto de 2024, quando um dos responsáveis pela recepção e distribuição da droga para o DF morreu em confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais. Conforme o inquérito, ele transportava grande quantidade de maconha, portava arma de uso restrito e carregava anotações ligadas à contabilidade do tráfico. 
Segundo a PCDF, os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que, somadas, podem variar de 13 a 55 anos de prisão, além de multa.






