Foi deflagrada na quinta-feira (10/9) a operação Iustitia Victis, que mira uma organização criminosa de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro, com atuação no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins.
A operação foi realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), e apura crimes de usura, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
O caso teve origem na morte de um comerciante de 68 anos, da Feira dos Goianos, em Taguatinga, que contraiu empréstimos com agiotas brasileiros e colombianos a juros superiores a 20% ao mês. Sob pressão para quitar as dívidas, ele tirou a própria vida em sua banca comercial, na madrugada de 21 de março de 2025, segundo a PCDF. Por ser semianalfabeto, contratava os empréstimos por mensagens de áudio enviadas pelo celular da filha, cuja conta bancária também era usada para receber e pagar os valores.
Após a morte, as cobranças passaram a ser direcionadas aos familiares do comerciante, com ameaças graves, entre elas referência ao uso de violência, envio de foto do antigo endereço da família e visitas de integrantes do grupo ao local. Por medo, os familiares deixaram o imóvel onde moravam.
As investigações identificaram dois núcleos criminosos distintos: um formado por colombianos, alvo da primeira fase da operação em 2025, e outro formado por brasileiros, alvo da fase atual, especializado em empréstimos com juros abusivos e cobranças diárias.
A apuração usou análise de dados bancários, perícia em celular, imagens de câmeras de segurança, campanas, oitivas e exame de planilhas de cobrança. As contas dos investigados receberam créditos que somaram R$ 10.178.544,79 entre 1º de janeiro e 29 de agosto de 2025.
Ao todo, foram cumpridas 47 ordens judiciais na quinta-feira, sendo 12 prisões preventivas, 18 buscas e apreensões e 17 bloqueios de ativos financeiros, que atingiram 14 pessoas físicas e três empresas. Apenas uma prisão preventiva não foi cumprida, porque a investigada não foi localizada.

As buscas ocorreram em Palmas e Araguaína, no Tocantins, e em Formoso, Goiânia e Senador Canedo, em Goiás, em cooperação com as Polícias Civis dos dois estados. Os investigados podem responder por usura, extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.
O nome Iustitia Victis, expressão em latim que significa “justiça aos vencidos”, faz referência à atuação do Estado em favor de pessoas submetidas a juros abusivos, ameaças e cobranças intimidatórias, segundo a PCDF.







