O Instituto de Medicina Legal (IML) concluiu que o golpe recebido por Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, foi a causa da morte do adolescente após a briga ocorrida em Vicente Pires. A conclusão consta na última perícia complementar do laudo cadavérico, feita a pedido da Justiça.
Segundo os peritos, o impacto na região temporal esquerda da cabeça provocou uma fratura e um hematoma epidural, que passou a comprimir o cérebro. A pressão dentro do crânio aumentou progressivamente e o quadro evoluiu para lesões que levaram à morte encefálica.
A perícia também descartou a possibilidade de que a lesão fatal tenha sido causada pela cabeça de Rodrigo contra um carro. De acordo com o documento, essa hipótese é incompatível com os resultados dos exames tomográficos, cirúrgicos e da necropsia. Os achados se concentram no lado esquerdo do crânio, região que recebeu os golpes durante a agressão.
O novo laudo também analisou a possibilidade de que o atendimento hospitalar tenha contribuído para a morte. Os médicos-legistas não encontraram sinais de negligência, atraso relevante no diagnóstico ou outro problema no hospital que pudesse romper a relação entre o trauma e o óbito.
Rodrigo chegou à unidade de saúde consciente e caminhando, com pontuação 15 na Escala de Coma de Glasgow. A triagem foi registrada às 1h51, enquanto a tomografia foi solicitada às 2h05, 14 minutos depois. Os peritos também afirmaram não haver evidências de que uma suspeita de intoxicação alcoólica tenha atrasado o exame.
O documento aponta ainda que Rodrigo estava em estado grave, com parada cardiorrespiratória, necessidade de intubação e estabilização antes da cirurgia. Embora o tratamento precoce seja importante em casos de hematoma epidural, os peritos afirmaram não ser possível concluir que uma cirurgia realizada antes teria evitado a morte. Para a perícia, a gravidade do trauma teve papel determinante na evolução do quadro.
Soco inglês
O IML também avaliou a possibilidade de uso de um instrumento contundente durante a agressão. Segundo os peritos, um objeto como um soco inglês seria compatível com os ferimentos encontrados em Rodrigo e com a ausência de lesões nas mãos de Pedro Turra.
A perícia, porém, não concluiu que o instrumento tenha sido utilizado. Um soco inglês e facas foram apreendidos pela Polícia Civil durante uma busca na casa de Pedro Turra e constam nos documentos do processo.
Relembre o caso
Inicialmente, a versão apresentada era de que a briga teria começado depois que Turra jogou um chiclete mascado em um amigo de Rodrigo. O adolescente teria reagido para defender o colega.
Durante a investigação, porém, surgiram relatos de que Rodrigo poderia ter sido alvo de uma agressão motivada por ciúmes. Segundo a apuração, Turra teria sido chamado para agredi-lo a pedido de outro piloto, menor de idade, que teria se incomodado ao saber que Rodrigo conversava com a ex-namorada dele.
Durante a briga, Turra desferiu um soco em Rodrigo. O adolescente caiu e foi socorrido. Ele permaneceu internado por 16 dias em estado grave e teve a morte encefálica confirmada em fevereiro.
Pedro Turra foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por homicídio doloso e permanece preso preventivamente. A defesa levantou durante o processo a possibilidade de que fatores relacionados ao atendimento hospitalar tivessem contribuído para a morte, questionamento que foi analisado no novo laudo.
Com a conclusão da perícia, cabe agora ao juiz analisar as provas reunidas no processo e decidir se Turra será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. O processo ainda está na fase de instrução.








