A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um grupo de seis pessoas suspeito de controlar o tráfico de drogas e impor punições violentas a moradores e consumidores de entorpecentes no Capão Comprido, em São Sebastião. A apuração faz parte da Operação Estatuto, conduzida pela 30ª Delegacia de Polícia, que investiga uma sequência de homicídios registrados desde o fim de setembro na região.
Segundo a investigação, o grupo atuava como uma extensão de uma facção criminosa e estabelecia regras próprias para quem vivia na localidade ou comprava drogas. Furtar entorpecentes, acumular dívidas com os integrantes ou reclamar da qualidade e da quantidade das drogas vendidas poderia resultar em agressões e até em morte.
As punições incluíam espancamentos e golpes de madeira. As agressões eram gravadas e divulgadas nas redes sociais para intimidar a comunidade e servir de ameaça a quem desobedecesse às regras impostas pelo grupo.
A investigação apura sete ocorrências registradas entre setembro e outubro, sendo seis homicídios consumados e uma tentativa de homicídio.
Em 24 de setembro, uma mulher de 30 anos foi morta a tiros. De acordo com a apuração, ela teria furtado cerca de 1 kg de maconha pertencente ao grupo. Jamielson Costa, conhecido como “Parazinho”, é apontado como autor dos disparos.
Dois dias depois, em 26 de setembro, um jovem de 20 anos, acusado de furtar drogas, recebeu 20 pauladas em cada mão. A agressão foi filmada e divulgada como forma de intimidar outras pessoas. Em seguida, ele foi morto a tiros.
Em 27 de setembro, menos de 24 horas depois, outro homem foi executado com 12 disparos. O crime teria sido motivado por uma reclamação sobre a quantidade de cocaína comprada, após uma discussão com a companheira do homem apontado como líder do grupo. Ele também é investigado por participação no homicídio.
No dia 4 de outubro, um homem foi morto dentro de um barraco. Segundo a investigação, os atiradores pretendiam matar um integrante do grupo, mas acabaram atingindo a vítima, que não tinha rivalidade com outras pessoas.
Em 11 de outubro, outro homem foi assassinado. A principal linha de investigação aponta que o crime pode ter sido motivado por uma vingança relacionada a um desentendimento antigo.
No dia seguinte, 12 de outubro, o irmão do homem apontado como segundo na hierarquia do grupo foi atingido por quatro tiros, mas sobreviveu. O caso é investigado como tentativa de homicídio.
Já em 14 de outubro, um adolescente foi morto a tiros durante o dia. As circunstâncias do crime continuam sendo investigadas.
Três integrantes foram presos
Até o momento, três dos seis integrantes investigados foram presos. Entre eles está o homem apontado como líder, capturado em 15 de outubro, no Itapoã. Ele tinha um mandado de prisão temporária por homicídio qualificado e uma ordem de prisão definitiva por tráfico de drogas.
Também foram presos o investigado apontado como responsável pelas sessões de espancamento, que é investigado por um dos homicídios, e a única mulher do grupo.
Os outros três integrantes continuam foragidos. Entre eles está o homem apontado como segundo na hierarquia da organização. A PCDF procura Jamielson Costa, conhecido como “Parazinho”, Vitor Rodrigues de Souza, chamado de “Diamantão”, e Osnairdson da Silva Pinheiro, conhecido como “Maxixe” (foto em destaque).
Operações também combatem o tráfico de drogas
Paralelamente às investigações dos homicídios, a 30ª DP intensificou as ações contra o comércio de drogas no Capão Comprido.
Em 16 de outubro, policiais da Seção de Repressão às Drogas prenderam em flagrante dois homens, de 30 e 40 anos, em imóveis localizados atrás do campo de futebol conhecido como “Chuteirão”. Antes da ação, os agentes abordaram dois consumidores que saíam do local com pedras de crack.
Durante as buscas, foram apreendendidas 29 porções de maconha preparadas para venda, uma porção maior da mesma droga, cocaína, crack, uma balança de precisão, embalagens tipo ziplock, quatro câmeras de vigilância, cinco celulares, um simulacro de pistola e dinheiro em notas e moedas trocadas.
Os dois homens vão responder por tráfico de drogas.
Em 19 de outubro, outras duas pessoas, de 27 e 20 anos, foram presas em flagrante na mesma região. A ação contou com policiais da Seção de Investigação de Crimes Violentos e da Seção de Repressão às Drogas.
Segundo a PCDF, os agentes flagraram pessoas em situação característica do comércio de entorpecentes nas proximidades de um campo de futebol. Ao perceber a aproximação dos policiais, um dos investigados tentou esconder uma bolsa com dinheiro, jogando-a sobre o telhado de um imóvel. Um consumidor que, segundo a apuração, negociava a compra de drogas também foi abordado.
Os policiais apreenderam quantidades de substâncias com características de crack, cocaína, maconha e ecstasy, além de dinheiro em notas fracionadas, uma balança de precisão, celulares e um simulacro de arma de fogo.
Os dois presos também vão responder por tráfico de drogas.
Investigação continua
A Operação Estatuto segue em andamento para localizar os três foragidos, identificar os responsáveis por cada crime e combater a atuação da facção no Capão Comprido. A PCDF informou que outros detalhes não serão divulgados para não prejudicar as diligências.
Informações sobre os investigados ou os crimes podem ser repassadas à Polícia Civil pelo Disque-Denúncia 197, com garantia de sigilo e anonimato.
Confira os canais disponíveis:
– Telefone: 197, ligação gratuita, 24 horas por dia;
– E-mail: [email protected];
– WhatsApp: (61) 98626-1197;
– Denúncia on-line: www.pcdf.df.gov.br/servicos/197;
– Presencialmente: em qualquer unidade da PCDF.








