Sem mencionar a chuva de concreto que marcou a implosão do antigo Torre Palace, a manhã desta segunda-feira (26/01) começou com outro tipo de movimento no Eixo Monumental: equipes especializadas em resgate completaram mais de 30 horas seguidas de atuação em um grande simulado de emergência entre escombros, recriando o cenário de um desastre real no coração de Brasília.
O treinamento é conduzido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e faz parte do exercício de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC), realizado sobre os destroços do antigo hotel. A proposta é testar, em ambiente controlado, tudo o que entra em ação quando um prédio vem abaixo: organização das equipes, uso de tecnologia, decisões de comando e, principalmente, a capacidade de localizar e resgatar vítimas com segurança.
No primeiro dia do simulado, 30 figurantes participaram como vítimas aparentes, sendo avaliados e atendidos conforme o método START, protocolo internacional de triagem em situações com múltiplos feridos. Com base no relato dessas pessoas, os coordenadores estimaram a existência de cinco vítimas soterradas, representadas por bonecos com Composto Orgânico Volátil (COV) posicionados em pontos estratégicos, como áreas de restaurante e quartos específicos da edificação.
Ao longo do segundo dia, as equipes avançaram sobre a pilha de escombros com apoio de ferramentas de geoprocessamento e imagens aéreas captadas por drones. Esse mapeamento permitiu identificar zonas de maior probabilidade de localização das vítimas e orientar o emprego das equipes de forma mais precisa, reduzindo deslocamentos desnecessários e a exposição dos militares a riscos estruturais.
Os cães de busca têm papel central nessa engrenagem. Treinados para reconhecer odor humano em ambientes extremos, eles trabalham sobre pontos indicados pelos mapas e, com o faro, conseguem apontar locais onde pode haver vítimas soterradas. Foi dessa combinação entre tecnologia e capacidade animal que saíram os principais avanços do dia: a segunda vítima foi localizada às 9h10 e a terceira, às 18h45, totalizando três “soterrados” encontrados até o momento.
Segundo o CBMDF, operações com esse grau de complexidade exigem bem mais do que força física. O foco é exercitar a tomada de decisão baseada em evidências, a leitura do cenário em tempo real e a integração entre diferentes recursos – dos drones às ferramentas de georreferenciamento, passando pelo comando de operações e pela atuação das equipes em campo. Cada passo é registrado para, depois, ser analisado em detalhe.
O simulado entra agora na reta final, com encerramento previsto para esta terça-feira (27/01), por volta das 10h. Depois da desmobilização das equipes, será realizado um debriefing com a consolidação dos resultados, lições aprendidas e ajustes necessários para aprimorar protocolos. A ideia é que, quando a emergência for real, o tempo investido sobre os escombros do Torre Palace se traduza em respostas mais rápidas e mais vidas preservadas.






