O Tribunal do Júri de Taguatinga iniciou, na manhã desta segunda-feira (8/6), o último dia da audiência de instrução dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Os três são réus em um processo que apura a morte de pacientes no Hospital Anchieta.
A sessão começou por volta das 9h e foi suspensa às 12h30 para o intervalo de almoço. Durante a manhã, foram ouvidas três testemunhas apresentadas pelas defesas. Outras seis pessoas que prestariam depoimento acabaram sendo dispensadas. A expectativa é que os acusados sejam interrogados após a retomada dos trabalhos.
O processo tramita em segredo de Justiça. Por esse motivo, apenas as partes envolvidas e pessoas previamente autorizadas podem acompanhar os depoimentos. A audiência de instrução faz parte da primeira etapa dos processos relacionados a crimes dolosos contra a vida e tem como finalidade reunir provas, ouvir testemunhas e interrogar os réus. Ao final dessa fase, o juiz decidirá se os acusados serão levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Os três técnicos estão presos desde 12 de janeiro. Em março, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou denúncia por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Marcos Vinícius e Marcela Camilly respondem por três homicídios, enquanto Amanda Rodrigues foi denunciada por duas mortes. O grupo também é acusado de tentativas de homicídio.
Segundo a investigação, os técnicos teriam aplicado doses elevadas de medicamentos em pacientes internados, provocando paradas cardíacas. A polícia aponta que Marcos Vinícius seria o responsável pelas aplicações, enquanto Amanda e Marcela dariam apoio às ações.
O caso veio à tona após o próprio Hospital Anchieta comunicar às autoridades suspeitas relacionadas a mortes de pacientes que apresentavam características semelhantes. A partir da denúncia, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) iniciou as investigações por meio da Operação Anúbis.
Entre as vítimas citadas no processo está Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios e morador de Brazlândia. Internado com dores abdominais, ele morreu em dezembro de 2025. Outra vítima é João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb, que estava em recuperação após uma cirurgia quando sofreu paradas cardíacas e morreu em novembro daquele ano.
A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. De acordo com a investigação policial, ela teria recebido a aplicação de uma substância incompatível com o tratamento médico.
A audiência teve início em 27 de maio. Inicialmente prevista para ser concluída em três dias, a fase de instrução precisou ser estendida devido à quantidade de testemunhas convocadas, totalizando 32 pessoas ouvidas ao longo do processo.






