Vídeo: Lula diz que não dará dinheiro da União ao BRB; Celina rebate

Fotos: Ricardo Stuckert

A crise do banco público do Distrito Federal virou o centro de um embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a governadora Celina Leão (PP) na noite de quarta-feira (16/9), a partir de um ato de campanha realizado em Ceilândia.

Do palanque, Lula descartou usar recursos federais para socorrer o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta grave crise financeira. “Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro. Mas não vamos dar dinheiro para o BRB”, afirmou.

O presidente atribuiu a situação do banco à gestão anterior e à relação com o Banco Master. “A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade para o governo federal. Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro, do Banco Master. O BRB comprou títulos que não existiam: R$ 12 bilhões”, declarou.

Lula também cobrou o paradeiro do ex-governador. “Ele quebrou o banco e quando foi denunciado retirou a candidatura. E está escondido onde? Gastando o dinheiro que foi roubado”, disse.

A resposta da governadora veio por nota, em tom igualmente duro. “Lamento a declaração de um presidente da República que quer quebrar o BRB. Eu pensei que ele fosse presidente do Brasil. Pensei também que os brasilienses fossem brasileiros. Pensei que o DF fizesse parte da República Federativa do Brasil, mas para ele, não. Age como presidente de um partido”, escreveu.

No texto, Celina comparou o tratamento dado ao banco distrital com o de outras instituições. “Ele ajuda, pela segunda vez, os Correios, mas se recusa a dar um aval para um empréstimo ao GDF. Ele pensa pequeno e partidariamente e eu esperava que ele agisse como presidente da República e não como cabo eleitoral de um candidato que nada fez pelo BRB”, afirmou.

A governadora ainda minimizou o público do ato e defendeu o peso econômico da instituição. “O banco pertence a população do DF e não pode servir de disputa partidária, ainda mais num palanque de um comício que sequer reuniu três mil pessoas”, disse, acrescentando que “o BRB tem seis mil empregados, gera empregos, responde por programas sociais e mesmo assim ele e o PT querem destruí-lo. Não conseguirão”.

O pano de fundo da disputa é um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado a capitalizar o banco. Sem caixa para o aporte direto, o Governo do Distrito Federal depende de garantia da União para contratar a operação e recorreu ao Supremo Tribunal Federal no início de setembro para tentar obrigar o governo federal a oferecer esse aval, com cotas de fundos de participação como contragarantia.

O Ministério da Fazenda resiste ao pedido e sustenta que o Distrito Federal não atende aos critérios exigidos pelo Tesouro Nacional, uma vez que a capacidade de pagamento local está classificada na categoria C, a segunda pior da escala.

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