A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Búrica, que apura o envolvimento de um grupo em ataques contra ônibus do transporte público registrados em janeiro deste ano no DF.
Durante a ação, foram cumpridos três mandados de prisão e oito de busca e apreensão nas regiões de Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas, Gama, Planaltina e também em Águas Lindas de Goiás. Um carro apontado pela investigação como utilizado nos crimes também foi apreendido.
Os ataques ocorreram em 15 de janeiro de 2026 e atingiram 57 ônibus em várias regiões administrativas do Distrito Federal, entre elas Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas, Riacho Fundo, Núcleo Bandeirante, Candangolândia e Plano Piloto. Segundo a polícia, as ações aconteceram entre 18h e 23h.
De acordo com as investigações, os suspeitos usavam pedras, bolas de gude e estilingues para quebrar vidros e danificar os coletivos. A polícia afirma que os ataques colocaram em risco motoristas, passageiros e pessoas que passavam pelas vias.
A investigação aponta que os crimes teriam sido motivados por uma retaliação após a demissão de funcionários ligados a um grupo de oposição sindical de uma empresa concessionária do transporte público. Os desligamentos teriam ocorrido no dia 9 de janeiro.
Conforme a PCDF, integrantes do grupo passaram a pressionar a empresa após as demissões e, poucos dias depois, os ataques foram registrados. Outro ponto investigado é a criação de um grupo de mensagens chamado “Rodoviários na Resistência”, criado um dia após os ataques. Segundo a polícia, vários investigados participavam da conversa.
As diligências também identificaram contatos telefônicos entre suspeitos logo após os crimes e possíveis tentativas de dificultar o rastreamento das comunicações durante as ações.
Ainda segundo a investigação, um VW Gol vermelho teria sido usado para transportar os envolvidos durante os ataques. As análises indicam que os objetos eram lançados em diferentes direções ao mesmo tempo, o que reforça a suspeita de atuação coordenada entre vários ocupantes do veículo.
Ao todo, pelo menos oito pessoas são investigadas por participação nos ataques e possível associação criminosa. Os suspeitos podem responder por dano qualificado, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública e associação criminosa. Somadas, as penas podem passar de 10 anos de prisão.
O nome da operação, “Búrica”, faz referência às bolas de gude usadas nos ataques aos ônibus. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer como o grupo atuava.







