Dois candidatos anunciaram atuação conjunta em defesa do Banco de Brasília, somando a experiência de quem trabalha na instituição à de quem prepara candidatos a concurso público.
A dupla é do União Brasil. Cristiano Alencar Severo, funcionário do banco, concorre a deputado distrital. Rodrigo Francelino Alves, o Professor Francelino, candidato a deputado federal é professor de concurso público há mais de duas décadas.
.“Eu sei que é necessário uma parceria com a bancada federal”, afirma. “E por isso eu procurei alguém que tenha diálogo com a nossa pauta, que seja um defensor do servidor público, do empregado público.”
Francelino aderiu apoiado na própria trajetória. “Há mais de 20 anos sou professor de concurso público, e só por aí já te digo que eu sou um puro defensor das instituições públicas, incluindo as empresas públicas.”
A pauta começa no banco e se estende às outras empresas do governo distrital. “Eu não sou apenas só do BRB, mas também relacionados à Novacap, Metrô, enfim. Todas as empresas públicas e sociedade de economia mista do Distrito Federal”, afirma Severo.
O argumento que sustenta a defesa separa a instituição das decisões tomadas por quem a dirigiu. “Estamos juntos na defesa, principalmente para esse ataque que o BRB vem sofrendo, e que não tem nada a ver com os desmandos de pessoas que foram inescrupulosas e que não souberam respeitar o dinheiro público”, diz Francelino.
Na semana passada, o Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou o bloqueio de R$ 2,7 bilhões em bens de cinco ex-dirigentes do banco, entre eles o ex-presidente, pelo prazo de um ano. A decisão se apoia em investigação independente que apontou irregularidades de gestão, falhas de governança e ocultação de informações relevantes. Segundo o levantamento, 83% do volume financeiro movimentado nas operações analisadas envolvia ativos ligados ao conglomerado do Banco Master.
A necessidade de capital decorrente da crise é estimada em cerca de R$ 7 bilhões, valor equivalente a aproximadamente 9,5% do orçamento do Distrito Federal, que gira em torno de R$ 74 bilhões. O governo distrital detém 53,71% das ações da instituição, participação que já foi integral.
O destino do banco é objeto de propostas distintas entre os candidatos ao governo. Há quem defenda auditoria com manutenção integral do controle público, quem proponha entrada minoritária de capital privado com o controle preservado, quem sugira reposicionar a instituição para o microcrédito e quem trate o tema pelo reforço de governança, sem detalhar o modelo.
Para os empregados, a discussão envolve os postos de trabalho e a natureza pública da instituição. O sindicato da categoria sustenta que a conta não deve recair sobre os trabalhadores nem sobre o banco, e trata a instituição como vítima do episódio.
Para quem estuda para concurso, o vínculo é o das nomeações. O banco mantém certames com validade em curso, entre eles o de escriturário, aberto com 300 vagas e 200 de cadastro reserva e prorrogado no ano passado, e o de analista de tecnologia da informação, com 100 vagas e outras 100 de reserva. As convocações dependem da situação financeira da instituição.
Os dois encerram o apelo firmando atuação conjunta. “Nós seremos defensores unidos por essa causa e de todas as empresas públicas”, diz Severo.







