Quase 60 mil imigrantes, a maioria jovens marroquinos, cruzaram a fronteira entre Marrocos e Espanha nos últimos dias, agravando a crise migratória na cidade autônoma de Ceuta, território espanhol localizado no norte da África. O número representa cerca de 70% da população local, estimada em aproximadamente 84 mil habitantes.
Imagens divulgadas mostram uma multidão atravessando o mar a nado, em boias ou sendo resgatada por embarcações. Após chegarem ao território espanhol, alguns imigrantes comemoraram a travessia gritando “Viva a Espanha”, enquanto agentes da Guarda Civil distribuíam água e prestavam atendimento aos recém-chegados.
Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 50 mil pessoas cruzaram a fronteira desde a manhã de quinta-feira (30). Já o chefe do governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou que o número de imigrantes chegou a aproximadamente 60 mil. Até as 18h (horário local) de sexta-feira (31), o governo espanhol informou que 48.300 pessoas já haviam deixado a cidade.
O fluxo migratório superou a crise registrada em 2021, quando mais de 10 mil pessoas chegaram a Ceuta em apenas dois dias. Até o momento, as autoridades não informaram de quais regiões partiram os imigrantes nem qual rota foi utilizada até a fronteira.
A travessia também deixou vítimas. De acordo com fontes policiais espanholas, pelo menos 43 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira (30) ao tentar chegar a Ceuta. Na manhã de sexta-feira, seis corpos foram retirados do mar.
A situação provocou preocupação entre países da União Europeia. Líderes do bloco cobraram que a Espanha controle a entrada de imigrantes, enquanto as forças de segurança do Marrocos utilizaram cassetetes e gás lacrimogêneo para tentar impedir que novas multidões chegassem aos portões de Ceuta.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitou a cidade nesta sexta-feira (31) e foi recebido com protestos. Durante a visita, ele classificou a entrada em massa de imigrantes como uma “violação da soberania territorial da Espanha” e afirmou que o governo está acelerando a repatriação das pessoas que entraram de forma irregular, em cooperação com as autoridades marroquinas.











