Leila Barros adota tom de defesa a Carlos Lupi em sessão da CPMI do INSS

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A atuação da senadora Leila Barros (PDT-DF) na CPMI do INSS ganhou repercussão nacional, mas não exatamente pelo conteúdo investigativo. Durante o depoimento do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, presidente nacional de seu partido, a senadora adotou uma postura interpretada por parte da opinião pública como defensiva.

Ao elogiar a “clareza” e a “tranquilidade” de Lupi e qualificar a comissão como “circo”, Leila acabou transmitindo a imagem de que havia mais zelo em resguardar a liderança partidária do que em cobrar respostas sobre fraudes que afetaram aposentados e pensionistas.

É importante registrar que Lupi, em seu depoimento, negou omissão e afirmou não ter tido conhecimento da dimensão das irregularidades, discurso que ficou consignado em ata e em registros oficiais da TV Senado. Do ponto de vista formal, portanto, não houve quebra de decoro na postura de Leila. O que se coloca em debate é a dimensão política: por presidir o PDT no Distrito Federal e ser correligionária do depoente, sua intervenção foi inevitavelmente lida sob a lente do conflito de interesses.

Esse enquadramento ganhou força porque, dias antes, a CPMI havia aprovado por unanimidade o envio de 21 pedidos de prisão preventiva ao Supremo Tribunal Federal. Leila votou favoravelmente, mas, ao relativizar as cobranças de colegas na sessão seguinte, pareceu destoar do clima de endurecimento da comissão.

Ex-atleta, Leila conhece bem a técnica do bloqueio, fundamental em quadra. Na política, porém, a metáfora ganha outra leitura: quando usada para proteger aliados em momentos de crise, o bloqueio pode soar como erro não forçado. A senadora acabou projetando a imagem de blindagem partidária num espaço em que a expectativa era de rigor e independência.

Em política, símbolos pesam tanto quanto atos. Ao minimizar o tom crítico de outros parlamentares, Leila correu o risco de parecer insensível à realidade dos aposentados que sofreram descontos ilegais em seus benefícios. Não se trata de julgar sua intenção, mas de observar a consequência: num momento de descrença generalizada com a política, qualquer gesto que soe como complacência pode fragilizar a credibilidade de quem o pratica.

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