Mãe denuncia suspeita de maus-tratos contra filha autista em creche no DF

Foto: Reprodução

Uma mãe denunciou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) um caso de supostos maus-tratos, negligência e agressões contra a filha de 7 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e não verbal. Segundo a mãe, os episódios teriam ocorrido durante os dois anos em que a criança frequentou uma creche localizada no Recanto das Emas.

A autônoma Giovanna Rodrigues, de 24 anos, contou que a filha começou a apresentar mudanças de comportamento pouco tempo depois de iniciar a rotina no local, em 2024. A menina frequentava o espaço em dias alternados, no período parcial.

De acordo com a mãe, sempre que chegava próximo à instituição, a criança chorava intensamente. No início, ela acreditou que a reação era causada pela dificuldade de adaptação. No entanto, com o passar do tempo, outros sinais chamaram a atenção da família.

Segundo Giovanna, a filha passou a voltar para casa com hematomas e marcas de mordidas, além de apresentar um comportamento mais agressivo. A avó da criança também percebeu que a menina chorava e tremia ao ver a fachada e o portão do local.

A mãe afirmou que questionou as responsáveis sobre os ferimentos, mas recebeu como resposta que as lesões teriam sido provocadas durante as brincadeiras.

A mãe afirma que deixou a situação passar por não ter provas suficiente. No entanto, em junho deste ano, uma funcionária da creche contou à ela o que acontecia no local.

“Elas praticavam agressão verbal e falas preconceituosas. Quando minha filha pegava em uma delas com a mão babada – por ser PCD, ela baba muito –, elas falavam: ‘sai para lá com essa sua baba sebosa'”, contou.

Outra ex-funcionárias relata que havia mais problemas na creche.

“Após o almoço, eles eram obrigados a entrar em um quartinho bem minúsculo, várias crianças deitadas naqueles tatames, tempo quente, muito abafado lá. As crianças ficavam em grito, em desespero lá”, afirmou.

O caso é investigado pela 27ª Delegacia de Polícia, no Recanto das Emas. Segundo o delegado responsável, todas as pessoas envolvidas serão ouvidas durante a investigação.

Em nota, as proprietárias informaram que o estabelecimento não é uma instituição de ensino, mas sim um espaço de acolhimento. Elas também afirmaram que estão colaborando com a investigação e fornecendo informações solicitadas pela Polícia Civil.

A Secretaria de Educação do Distrito Federal foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

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