Nesta terça-feira (11/8), a governadora Celina Leão (PP) elevou o tom contra o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, em Brasília. Questionada sobre uma comparação feita pelo adversário entre as situações jurídicas dos dois, Celina rejeitou qualquer equivalência e afirmou que “Brasília está vacinada contra ele há 16 anos”.
A governadora iniciou a resposta classificando Arruda como “ficha suja” e sustentou que o ex-governador tenta aproximar os dois casos para reduzir o peso do próprio histórico judicial. Celina destacou que nunca ficou impedida de participar de uma eleição e afirmou não possuir condenação.
“É um absurdo ele se comparar comigo. A vida do Arruda foi inteira tentando se livrar do passado, pedindo perdão para a população de Brasília e tentando retornar”, afirmou a governadora durante a entrevista.
Celina também recuperou uma comparação feita anteriormente por Arruda com Zico. Em entrevista ao próprio Correio em junho, o ex-governador afirmou que havia “perdido um pênalti”, mas gostaria de ser lembrado pelo “conjunto da obra”, em referência à trajetória do ex-jogador da Seleção Brasileira e do Flamengo.
A analogia foi rejeitada pela governadora. “Pelo amor de Deus, os flamenguistas devem estar morrendo”, ironizou Celina antes de apresentar a própria metáfora para tratar da situação política do adversário.
Foi nesse momento que Celina relacionou a situação de Arruda a uma medida protetiva, instrumento utilizado para afastar agressores de mulheres vítimas de violência doméstica.
Segundo a governadora, da mesma forma que uma medida busca impedir que uma mulher volte a sofrer violência, o período em que Arruda permaneceu afastado das urnas teria funcionado, em sua avaliação política, como uma proteção para o Distrito Federal.
“A Justiça deu uma medida protetiva para o Arruda. Há 16 anos ele não pode triscar em Brasília para ele não ferir mais a cidade”, declarou.
A expressão foi usada de forma metafórica. Não existe uma medida protetiva judicial que proíba Arruda de circular ou se aproximar de Brasília. A referência de Celina é às restrições eleitorais enfrentadas pelo ex-governador ao longo dos últimos anos.
O histórico judicial citado pela governadora remonta às condenações de Arruda por improbidade administrativa. Em 2014, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o registro da candidatura dele ao Governo do DF com fundamento na Lei da Ficha Limpa, após condenação colegiada no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. (Justiça Eleitoral) Em 2023, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou uma liminar que havia restabelecido os direitos políticos do ex-governador.
Ao prosseguir no confronto, Celina voltou a separar a própria trajetória política da de Arruda.
“Eu nunca tive medida protetiva. Ele está impedido há 16 anos. Ele faz isso para tentar se colocar numa situação mais limpa”, afirmou.
A governadora lembrou ainda que acumula quatro mandatos eletivos e disse que não precisou retornar à população para pedir desculpas após suas passagens por cargos públicos.
Celina também direcionou críticas à postura política do adversário. Disse ter “palavra” e acusou Arruda de mudar de posição e de fazer promessas diferentes conforme o interlocutor.
“Esse é o Arruda, que mente, que tem essa conversa mole. Mas eu acho que Brasília está vacinada contra ele há 16 anos”, afirmou.
A governadora encerrou a resposta retomando a metáfora que marcou a sabatina: “Ele está proibido de chegar perto da nossa cidade há 16 anos como uma medida protetiva a Brasília”.







