Filha é investigada por abandonar mãe acamada em motel no DF

Foto: Pixabay

Um caso ocorrido em abril e revelado nesta sexta-feira (21/8) expôs uma sequência de suspeitas de abandono, negligência e abuso financeiro em Águas Claras. Uma mulher de 32 anos é investigada após supostamente deixar a própria mãe, acamada e dependente de cuidados, sozinha em um quarto de motel.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), instaurou um inquérito para apurar o caso. A vítima tem 61 anos, é servidora aposentada da rede pública de ensino e sofreu um acidente vascular cerebral em 2020.

Desde o AVC, a mulher passou a depender de terceiros para alimentação, higiene e acompanhamento médico. Ela vivia em uma casa de repouso, mas teria retornado ao apartamento da família depois que a filha afirmou que assumiria os cuidados.

Em março, amigas procuraram a polícia e denunciaram que a aposentada estaria vivendo em condições degradantes. Em uma das ocasiões relatadas, ela teria sido encontrada trancada no apartamento, sem acesso adequado a água, comida ou assistência.

A situação ganhou contornos ainda mais graves no mês seguinte. Segundo as informações apuradas, mãe e filha entraram em um motel de Águas Claras após o pagamento antecipado de R$ 500, mas a investigada deixou o estabelecimento sem informar quando voltaria.

Depois de dois dias, funcionários ouviram pedidos de socorro vindos do quarto. A gerente abriu a porta com uma chave reserva, ofereceu água e alimentos à vítima e acionou a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

A aposentada relatou aos policiais que o apartamento onde moravam havia sido vendido por R$ 95 mil. Ela disse suspeitar que a filha tenha saído para gastar o dinheiro com drogas, versão que ainda depende da conclusão da investigação.

Testemunhas também alegaram que a investigada fazia uso de crack. O consumo da droga e o destino do dinheiro do imóvel, porém, permanecem como suspeitas — não como fatos definitivamente comprovados.

O inquérito apura ainda movimentações bancárias realizadas com o cartão da vítima. A filha teria feito saques e transferências para contas próprias e de terceiros, comprometendo parte significativa da aposentadoria da mãe.

Após ser resgatada, a vítima passou a morar com uma cuidadora em outro imóvel alugado. Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre prisão ou indiciamento da investigada.

O Estatuto da Pessoa Idosa prevê responsabilização criminal para abandono, exposição da saúde a perigo e apropriação ou desvio de bens e rendimentos. Denúncias podem ser feitas à PCDF pelo telefone 197 ou ao Disque 100.

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.