A Justiça do Distrito Federal decidiu manter a prisão preventiva de três técnicos de enfermagem acusados de envolvimento na morte de pacientes do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva estão presos desde janeiro.
A decisão foi publicada na última quinta-feira (20). O juiz João Marcos Guimarães Silva afirmou que não surgiram novos elementos capazes de mudar os motivos que levaram à prisão dos três. Segundo o magistrado, a manutenção da prisão é necessária para garantir a ordem pública.
O juiz também considerou que medidas alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica ou a proibição de frequentar determinados locais, não seriam suficientes para o caso.
As prisões preventivas são reavaliadas periodicamente pela Justiça. No caso dos três técnicos, a análise ocorre a cada 90 dias, conforme previsto para esse tipo de prisão.
Acusação
Marcos Vinícius e Marcela Camilly respondem pelas mortes de Marcos Moreira, de 33 anos, João Clemente Pereira, de 63, e Miranilde Pereira da Silva, de 75. Amanda Rodrigues responde por duas das mortes. Os três também são acusados de algumas tentativas de homicídio.
Segundo as investigações, os técnicos teriam aplicado doses elevadas de medicamentos nos pacientes, provocando paradas cardíacas. A investigação aponta que Marcos Vinícius seria responsável pela aplicação das substâncias, enquanto Amanda e Marcela dariam cobertura.
O caso chegou à polícia após o próprio Hospital Anchieta comunicar a ocorrência, depois de identificar circunstâncias consideradas suspeitas em mortes de pacientes.
Os três passaram por audiência de instrução entre o fim de maio e junho, quando foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa. Eles continuam presos enquanto o processo segue na Justiça, com diligências realizadas em conjunto pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Operação Anúbis
O caso ganhou repercussão no dia 19 de janeiro, quando a polícia confirmou que três técnicos de enfermagem eram investigados pela suspeita de envolvimento nas mortes de pacientes do hospital.
Entre as vítimas estão Marcos Moreira, João Clemente Pereira e Miranilde Pereira da Silva.
Marcos tinha 33 anos, morava em Brazlândia e trabalhava nos Correios. Ele foi internado na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O servidor deixou uma filha de 5 anos.
João Clemente, de 63 anos, era servidor da Caesb. Ele procurou atendimento após sentir dores de cabeça e foi diagnosticado com um coágulo na parte superior do crânio. Depois de passar por cirurgia, apresentou complicações pulmonares relacionadas à intubação e chegou a apresentar melhora. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. Ele deixou a esposa, dois filhos e um neto.
A terceira vítima é a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Segundo a investigação, ela teria recebido desinfetante injetado por um dos técnicos.








