Em meio as investigações, Lula articula encontro entre chefe da PF e André Mendonça

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, nesta quinta-feira (27/8), que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, procure o ministro André Mendonça para uma conversa. A iniciativa ocorre em meio ao aumento da tensão nos bastidores por causa de investigações com potencial de atingir as campanhas eleitorais.

O encontro entre o chefe da Polícia Federal (PF) e o integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá ser mediado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Até a última atualização, a reunião ainda não tinha data marcada.

A aproximação pretende abrir um canal direto entre Andrei e Mendonça. Relatos publicados pela imprensa apontam que a relação entre os dois passou a ser marcada por desconfianças relacionadas à condução e ao ritmo de inquéritos sob responsabilidade do ministro.

André Mendonça é relator de duas das três investigações que alcançam Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O filho do presidente aparece nas apurações na condição de investigado, sem condenação, e nega irregularidades.

Parte das divergências ganhou força depois de o ministro cobrar acesso a dados obtidos em quebras de sigilo e questionar mudanças realizadas na equipe responsável pelas investigações. Dentro da PF, as medidas foram recebidas com preocupação diante do entendimento de que poderiam interferir na autonomia dos investigadores.

O gabinete de Mendonça, por outro lado, teria demonstrado insatisfação com a demora no envio de documentos e informações relacionados às apurações. O ministro também determinou que fossem investigados possíveis vazamentos de dados sigilosos do caso.

Além dos inquéritos relacionados ao filho de Lula e às suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Mendonça conduz apurações ligadas ao Banco Master e ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A concentração de casos politicamente sensíveis no gabinete do ministro transformou uma divergência operacional em um problema institucional. Com a campanha presidencial em andamento, qualquer movimento envolvendo o governo, a PF e o Supremo passou a ser acompanhado também pelo impacto eleitoral.

A ordem atribuída a Lula não significa que o presidente participará da reunião nem que haverá discussão sobre o mérito das investigações. De acordo com as fontes consultadas, o objetivo anunciado é reduzir os atritos e preservar o funcionamento institucional entre a polícia e o gabinete do relator.

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