Dois portais públicos do Distrito Federal foram invadidos e tiveram o conteúdo adulterado no domingo (30/8). Os responsáveis pelo ataque publicaram mensagens de provocação e uma crítica direcionada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações são do Metrópoles.
Os alvos foram os sites do Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Procon-DF) e da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Distrito Federal (Jucis-DF). As páginas passaram a exibir conteúdos que não pertenciam aos órgãos.
No portal do Procon-DF, os invasores publicaram a imagem de um artigo de opinião que criticava o governo Lula em razão da restrição aplicada a determinadas funcionalidades do Discord no Brasil.
A publicação relacionava a medida contra a plataforma à presença de celulares em presídios. Abaixo da imagem, aparecia a frase “Caiu na ownada do Ind3xZer0”, utilizada como uma espécie de assinatura do ataque.
No site da Jucis-DF, os responsáveis colocaram o desenho de um pinguim diante de um computador e repetiram a mesma provocação. Também foram divulgados um perfil atribuído ao grupo, uma hashtag e a expressão “Brazilian Security Team”.
Imagens publicadas pelo Metrópoles confirmam que as duas páginas tiveram o conteúdo visual alterado. O material, contudo, não permite concluir sozinho como os invasores conseguiram acessar os sistemas.
O nome “Ind3xZer0” apareceu nas mensagens, mas isso não significa que a autoria esteja oficialmente comprovada. Em ataques digitais, assinaturas podem ser verdadeiras, falsas ou utilizadas para direcionar a responsabilidade a terceiros.
A expressão “ownada” deriva de um termo difundido entre jogadores e comunidades de tecnologia. Nesse contexto, é usada para afirmar que um sistema foi dominado ou exposto pelo invasor.
O conteúdo inserido no portal do Procon-DF sugeria que o Discord seria retirado do ar. A medida adotada no país, entretanto, teve alcance mais restrito.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinou em 12 de agosto a suspensão da ferramenta “Go Live” e de recursos equivalentes de transmissão de vídeo. O restante da plataforma não foi bloqueado.
Segundo a agência, a decisão preventiva foi tomada diante de indícios de falhas na proteção de crianças e adolescentes contra violência, assédio, automutilação e indução ao suicídio. A fiscalização permanece em andamento.
Os portais do Procon-DF e da Jucis-DF já funcionavam com restrições de conteúdo por causa do período eleitoral. Apenas informações consideradas essenciais à prestação dos serviços públicos estavam disponíveis.
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre vazamento de dados pessoais, comprometimento de sistemas internos ou interrupção dos serviços prestados pelos dois órgãos. Também não havia informação pública sobre a identificação dos responsáveis.
A adulteração visível de uma página, conhecida como defacement, não comprova necessariamente que bancos de dados tenham sido acessados. A dimensão do incidente dependerá da análise técnica dos registros, das credenciais utilizadas e dos servidores atingidos.






