Doação de sangue muda e estoque do DF segue abaixo do ideal

Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

A partir de 30 de setembro, entram em vigor novas regras que ampliam o número de pessoas aptas a doar sangue no país.

A mudança vem de portaria do Ministério da Saúde e atinge diretamente quem era barrado por critérios considerados excessivos. O limite máximo de idade para doadores de repetição deixa de existir: hoje restrita a quem tem até 69 anos, 11 meses e 29 dias, a doação por pessoas com mais de 70 anos passará a depender de avaliação médica no momento do atendimento.

Quem fez tatuagem, colocou piercing ou passou por procedimento estético também será liberado antes. O prazo de espera cai de 12 meses para quatro meses e, quando houver comprovação de que o estabelecimento é fiscalizado pela vigilância sanitária, acompanhada de nota fiscal, reduz-se a sete dias.

Outras faixas mudam na mesma direção. Quem passou por endoscopia ou colonoscopia espera quatro meses, e não mais seis. Gripe e resfriado deixam de exigir 15 dias de espera e passam a exigir três dias sem sintomas e sem febre. Após cirurgia bariátrica, o intervalo cai de um ano para seis meses. Quem teve covid aguarda dez dias depois da recuperação completa.

Condições antes tratadas como impedimento definitivo passam a admitir doação. Pessoas com hipotireoidismo ou hipertireoidismo clinicamente estáveis poderão doar, e quem teve câncer e está curado poderá doar cinco anos após o fim do tratamento. O prazo para novos parceiros sexuais, exposição ocupacional a material biológico e demais situações de risco foi padronizado em quatro meses. Para quem usa profilaxia contra o HIV, o intervalo é de quatro meses após interromper a versão oral e de dois anos no caso da injetável de longa duração.

No Distrito Federal, o peso mínimo exigido cai de 51 para 50 quilos.

A flexibilização chega em momento de aperto nos estoques. Bancos de sangue da capital vêm coletando entre 20 e 30 bolsas por dia, quando precisariam de 50 para atender à demanda. “O feriado nacional também diminuiu o movimento. Por isso, precisamos reforçar o chamado e contar com a solidariedade de todos que podem doar”, afirmou Marcela Zilves Colonese, gerente de captação regional do GSH Banco de Sangue.

Na rede pública, a coleta é feita na sede da Fundação Hemocentro de Brasília, no SMHN Quadra 3, Conjunto A, Bloco 3, na Asa Norte. O atendimento vai de segunda-feira a sábado, das 7h15 às 18h, sem funcionamento aos domingos e feriados. A própria fundação informa que segunda, terça e quarta são os dias de menor espera. O agendamento pode ser feito pelo portal de serviços do governo distrital.

Para doar é preciso ter entre 16 e 69 anos, com autorização do responsável no caso de menores de idade, pesar acima do mínimo exigido, apresentar documento oficial com foto, ter dormido ao menos seis horas na noite anterior, não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas precedentes e não fumar nas duas horas antes da coleta. O intervalo entre doações é de 60 dias para homens, com até quatro doações por ano, e de 90 dias para mulheres, com até três.

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