O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou em depoimento à Polícia Federal que tenha havido fraude de R$ 12 bilhões em negócios com o Banco de Brasília (BRB). Durante quase quatro horas de oitiva na quinta-feira (15/10), ele classificou como “açodada” a Operação Compliance Zero, que o levou à prisão em novembro de 2025.
Foi o terceiro depoimento de Vorcaro nos inquéritos que investigam as negociações entre os dois bancos, incluindo a tentativa de compra do Master pelo BRB. A PF apura se carteiras de crédito vendidas pelo Master ao banco controlado pelo governo do Distrito Federal tinham irregularidades. Segundo a defesa, o empresário respondeu a todas as perguntas.
Vorcaro disse que a operação envolveu o BRB “num enredo falso de suposta fraude bilionária, abalando a confiança indispensável para regular funcionamento de um banco”. Sobre as carteiras da empresa Tirreno, um dos pontos centrais da investigação, afirmou que o negócio “não foi concluído, nem gerou qualquer prejuízo ao BRB ou a seus clientes”. Para ele, a troca de ativos entre as instituições teve “resultados positivos para o Banco de Brasília”.
Os advogados afirmam que, depois de quase um ano de apurações, “as investigações demonstram categoricamente que a versão inicial divulgada não se sustenta no plano factual ou jurídico”. A defesa informou que vai apresentar nesta sexta-feira (16/10) uma contestação na esfera cível e pedir uma perícia “a fim de sepultar definitivamente a narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo”.
A versão do banqueiro se contrapõe à linha da investigação, que segue em andamento. Em setembro, o governo do DF criou uma comissão especial, presidida pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, para tentar recuperar ativos e negociar o ressarcimento de danos ao BRB. Nesta semana, o prazo de funcionamento da comissão foi prorrogado por 90 dias.






