Uma advogada de 42 anos chutou a porta de uma vizinha até quase derrubá-la, enquanto estava enrolada em uma toalha, na terça-feira (20/10), em um condomínio de Águas Claras. O episódio ocorreu por volta das 8h52, quando a mulher bateu à porta da moradora. Segundo a vizinha, foi necessário segurar a estrutura para impedir que ela caísse.
A moradora, de 30 anos, vive no décimo andar do condomínio há cerca de seis meses. Desde que se mudou, afirma ouvir a advogada falando sozinha em voz alta dentro do apartamento e gritando pelos corredores. Segundo ela, outra residente já teria sido atacada com uma barra de ferro contra a porta do imóvel.
A advogada também é alvo de denúncias de outros moradores. Uma vizinha registrou um boletim de ocorrência em 13 de maio deste ano, após relatar ter sido vítima de injúria racial. Um vídeo mostra a advogada chamando a mulher de “preta, pobre, suja, imunda, favelada e má”.
A vítima acredita que as ofensas possam estar relacionadas à sua cor de pele e ao cabelo cacheado no estilo black power. Segundo ela, os xingamentos ocorreram quando passava em frente ao apartamento da advogada.
A moradora também afirmou que o irmão, que é negro, foi chamado de “macaco” pela mesma mulher. Ela relatou ainda ter sido ameaçada de morte duas vezes e disse que a advogada tentou agredi-la em outra ocasião, quando sua mãe e seu irmão estavam presentes.
“Ela já me ameaçou de morte duas vezes: uma quando eu estava saindo de casa e outra, na semana retrasada, quando passei por ela na rua. Em outra ocasião, tentou me agredir, mas meu irmão e minha mãe estavam presentes, foi quando ela o chamou de macaco”, contou ao Metrópoles.
Conflitos no condomínio
Segundo relatos de moradores, os desentendimentos estariam relacionados à afirmação da advogada de que mantém uma relação com o empresário Elon Musk e de que os dois precisam de privacidade.
Os moradores dizem que acionam a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) durante os episódios, por acreditarem que a advogada esteja passando por um surto psiquiátrico.
“Nunca há punição. Ela costuma dar carteirada, dizendo que é advogada, e demonstra confiança de que não sofrerá consequências”, relatou uma moradora.
Os conflitos foram levados à Justiça pelo condomínio Edifício Uptown Residence, que pediu o afastamento da advogada do imóvel. A administração alegou que multas e notificações não resolveram os problemas e apresentou boletins de ocorrência por ameaça e injúria racial, relatos de moradores e vídeos. Também apontou que um incêndio no apartamento representou risco aos demais residentes.
Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) negou o pedido de afastamento imediato. Na decisão, o desembargador Roberto Freitas Filho afirmou que retirar alguém da própria residência é uma medida excepcional.
Segundo o magistrado, os documentos indicavam um conflito relevante, mas era necessário avaliar melhor a gravidade e a frequência dos episódios, confrontar as versões e garantir o direito de defesa da moradora.
A decisão não encerrou o processo, e o pedido de afastamento ainda precisa ser julgado.
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