A reeleição do presidente Lula (PT) no domingo (25/10) mantém o Brasil, maior país e maior economia da América do Sul, sob governo de esquerda. A vitória, porém, não muda o quadro geral da região, onde a direita comanda a maioria dos países.
Dos 12 países sul-americanos, cinco são governados pela esquerda ou pela centro-esquerda: Brasil, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname. Os outros sete estão nas mãos da direita ou da centro-direita: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.
Desde 2023, a direita venceu seis eleições presidenciais na região. O avanço começou com a vitória de Javier Milei na Argentina, em novembro de 2023. Em 2025, Daniel Noboa foi reeleito no Equador, Rodrigo Paz encerrou quase duas décadas de governos do Movimento ao Socialismo (MAS) na Bolívia e José Antonio Kast venceu no Chile.
Em 2026, a direita também chegou ao poder no Peru, com Keiko Fujimori, que tomou posse em julho, e na Colômbia, com Abelardo de la Espriella, empossado em agosto. No Paraguai, Santiago Peña governa desde 2023.
A esquerda, por outro lado, venceu no Uruguai, com Yamandú Orsi, em 2024, e na Guiana, onde Irfaan Ali foi reeleito em 2025. No Suriname, Jennifer Geerlings-Simons assumiu a Presidência em 2025.
A Venezuela é um caso à parte. Depois da captura de Nicolás Maduro, a presidente interina Delcy Rodríguez, do núcleo do chavismo, mantém o grupo no poder, mas vem se reaproximando dos Estados Unidos.
A aproximação de parte dos governos de direita com o governo de Donald Trump deve ser um dos desafios do quarto mandato de Lula na política externa. O presidente terá de conviver com vizinhos alinhados a Washington, como Milei e Kast, em temas como o Mercosul, a segurança nas fronteiras e o combate ao crime organizado.
Fora da América do Sul, o México, de Claudia Sheinbaum, segue sob governo de esquerda. Brasil e México são as duas maiores economias da América Latina.








