O agora ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso em sua casa após uma ordem emitida pelo Ministério Público do país. Além dele, o ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, também foi alvo da ação.
Peña ficará detido em casa, à disposição da Unidade Especializada de Crimes Econômicos e Anticorrupção. O destino de Spalding será definido pelo Comando da Polícia Nacional.
O Ministério Público informou que o presidente destituído não deve usar tornozeleira eletrônica por enquanto. O monitoramento será realizado por agentes da polícia.
“As pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias”, destacaram os promotores.
A medida ocorreu minutos depois de o Senado aprovar o impeachment de Santiago Peña. A votação ocorreu de forma unânime: dos 45 senadores, foram 44 votos favoráveis e uma ausência. A determinação colocou o vice-presidente Pedro Alliana no cargo de chefe do Executivo.
Entenda a crise no Paraguai
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.










