Na noite desta segunda-feira (22/8), o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) participou da primeira rodada de entrevistas do Jornal Nacional com os mais bem colocados na disputa ao Palácio do Planalto. No início da entrevista, o âncora William Bonner questionou o chefe do Executivo sobre os questionamentos a respeito das urnas eletrônicas e dos recentes atritos com o Tribunal Superior Eleitoral, principalmente com o presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes.
Bolsonaro disse que “quem vem sendo perseguido por um ministro sou eu, em uma investigação ilegal”. No entanto, deu a entender que a tensão entre os poderes “está pacificada”.
“Ao que tudo indica, está pacificado – declarou o mandatário, que afirmou, que aceitará o resultado das eleições, “desde que haja transparência no sistema eleitoral”, em referência a uma possível auditoria do equipamento eletrônica.
“Seja qual for [o resultado das urnas], eleições limpas devem e têm que ser respeitadas. Limpas e transparentes tem que ser respeitadas”, disse.
Bolsonaro também lembrou que o ministro Alexandre de Moraes tem uma reunião com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para tratar da segurança das urnas eletrônicas. As Forças Armadas, junto com o TSE e outros órgãos, compõem a comissão que fiscalizam as urnas.
“Teremos eleições. O ministro Moraes acabou de assumir. Amanhã ele tem encontro com o ministro da Defesa para tratar de transparência. Tenho certeza que vão conversar e chegar a um bom termo. Precisei provocar. Pode ficar tranquilo. Terão eleições limpas e transparentes no corrente ano”, afirmou Bolsonaro.
Pandemia
O presidente também foi questionado por declarações sobre a vacina. Em uma delas, disse que a pessoa poderia virar “jacaré”, o que acabou repercutindo em todo o mundo. Na entrevista, o candidato esclareceu que usou apenas uma “figura de linguagem”.
Bolsonaro disse também que o governo não aceitou as primeiras ofertas da farmacêutica Pfizer para vender vacinas ao Brasil porque a empresa não se responsabilizava por eventuais efeitos colaterais. “A questão da Pfizer, no contrato estava escrito ‘não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral’. Outra coisa, a Pfizer não apresentou quais seriam os possíveis efeitos colaterais. Daí eu usei uma figura de linguagem ‘jacaré'”, disse.
Economia
O candidato à reeleição explicou que os baixos índices da economia estão relacionados à pandemia de Covid, à guerra na Ucrânia e à seca de 2021, e elogiou realizações do primeiro mandato e disse que pretende manter o que vem sendo feito se for reeleito.
“O que nós pretendemos fazer? É continuar exatamente na política que vínhamos fazendo desde 2019. A grande vacina a favor da economia em 2019 foram reformas, como por exemplo a da Previdência. Foi a Lei da Liberdade Econômica, foi a modernização das Normas Regulamentadoras. […] Nós fizemos muita coisa no Brasil, atendemos realmente a todas as camadas da sociedade. Só agora na questão do IPI, a proposta do Paulo Guedes que está parada no Supremo Tribunal Federal, nós pretendemos diminuir imposto de 4 mil produtos em 35% de IPI.”
Bolsonaro citou como exemplo de boa medida o Auxílio Emergencial de R$ 600. “O próprio Auxílio Emergencial, num primeiro momento de R$ 600, fez com que a economia, em especial nos pequenos municípios, o município não colapsasse. Então essas medidas, entre outras, fizeram a gente romper 2020 e 2021”, afirmou.
Amazônia
Outro tema da entrevista foi a preservação do meio ambiente. Ao ser questionado sobre os índices de desmatamento em seu governo, Bolsonaro alegou que a Amazônia é do tamanho de países europeus.
“Olha só, a Amazônia é do tamanho da Europa Ocidental. Ali na Amazônia cabe uma Alemanha, cabe uma França, cabe uma Itália, cabe Portugual, cabe um montão de países. Você pensa que fiscalizar, evitar de pegar fogo, [é] assim: ‘Vamos lá?'”, argumentou o candidato.
“Agora, quando se fala em Amazônia, o que não se fala também, é na França que há mais de 30 dias está pegando fogo, a mesma coisa está pegando fogo na Espanha e Portugal, Califórnia pega fogo todo ano. No Brasil, infelizmente não é diferente, acontece, grande parte disso aí, alguma parte disso aí é criminoso, eu sei disso, outra parte não é criminoso é o Ribeirinho que toca fogo ali na sua propriedade”, afirmou Bolsonaro.
O presidente reforçou ainda que 30 milhões de pessoas moram na região. “Olha, você tem que pensar que na Amazônia você tem quase 30 milhões de habitantes lá, tem 30 milhões de brasileiros na Amazônia, primeira preocupação é essa. Outra, qualquer propriedade lá tem que preservar 80% e pode usufruir de 20%. Eu tentei nos primeiros dois anos de mandato fazer a regularização fundiária, para saber, por exemplo, qualquer lugar desmatado ou com foco de calor de quem é o CPF daquela propriedade. O presidente da Câmara não colaborou para botar essa propriedade adiante”.
Corrupção no MEC
O candidato à reeleição pelo PL foi questionado pelos apresentadores Renata Vasconcellos e William Bonner sobre as substituições de ministros na Educação. A pasta teve cinco chefes em um mandato, incluindo o pastor Milton Ribeiro, que chegou a ser preso por suposto favorecimento de pastores com verbas públicas.
Bolsonaro disse que “as pessoas se revelam quando chegam” e que, na visão dele, não há “nada” que incrimine Milton Ribeiro no caso dos pastores. O presidente chegou a contestar a classificação do caso como “escândalo”.
“Por muitas vezes, depois que a pessoa chega, a gente vê que ela não leva jeito para aquilo. Não foi só o da Educação, ele teve a acusação. Ele teve uma ordem de prisão, foi preso inclusive. Agora, conseguiu habeas corpus logo em seguida. Eu fiquei sabendo depois, né, que o Ministério Público do DF foi contra a prisão dele. Por quê? Não tinha nada contra. Se tiver algo hoje em dia, é outra história. Até aquele momento, não tinha nada. A questão de ter dois pastores, um, que estava no gabinete dele, qual o problema?”, disse Bolsonaro.
Considerações finais
Com o tempo de um minuto, o presidente Jair Bolsonaro afirmou em suas considerações finais que assumiu o governo do Brasil em “situação crítica na questão ética, moral e econômica” e que fez reformas e realizações em seu mandato antes da pandemia e da invasão da Ucrânia pela Rússia.
“Isso nós fizemos. Hoje, você nota que os preços dos combustíveis caíram assustadoramente. Nada de canetada. Com o trabalho nosso junto ao parlamento brasileiro, conseguimos R$ 600 de Auxílio Brasil para 20 milhões de pessoas mais pobres. Conseguimos transposição do São Francisco, que estava parada desde 2012, levando água para o nordeste. Nós pacificamos o MST titulando terras pelo Brasil, e 90% dessas titulações foram para as mulheres. Criamos o PIX, tirei dinheiro de banqueiros fazendo com que a população pudesse se transformar, muitos, em pequenos empresários. O PIX: sem qualquer taxação em cima do PIX. Anistiamos 99% da dívida de um milhão de jovens junto ao FIES”, informou o presidente.








