O delegado Marcus Vinicius Reis, responsável pela apuração do caso do adolescente de 13 anos que matou uma professora e feriu outras quatro pessoas na Escola Estadual Thomazia Montoro, na Vila Sônia, Zona Oeste de São Paulo, disse que o autor do ataque foi “frio” durante o depoimento e que não demonstrou nenhuma emoção.
“Posso adiantar que ele foi bem frio. Não demonstrou muita emoção e admitiu. Confessou na presença da advogada e dos pais que ele praticou os atos infracionais”, disse o delegado.
Reis também declarou que a Polícia Civil está investigando a motivação do crime e se eventualmente houve a participação de outras pessoas.
Um estudante da escola havia relatado o que pode ter sido a motivação para o ataque. De acordo com o jovem, houve uma briga na escola, na semana passada, por causa de racismo. O autor do atentado teria xingado o colega de “macaco”. A professora de Ciências Elisabeth Tenreiro é quem teria apartado a briga. “Hoje, esse menino que chamou o outro de macaco veio com uma faca e esfaqueou várias vezes (…)”, disse se referindo à professora, que foi morta pelo agressor.
“A motivação a gente ainda está apurando a fundo e não quero antecipar nada. A gente ainda tem um campo de investigação. O que posso adiantar é que ele passou todas as informações de maneira pormenorizada. Ele admitiu os fatos. As imagens são fortes. Foram atos infracionais análogos a homicídio consumado e homicídio tentado”, informou o delegado.
O adolescente autor do ataque na Escola Estadual Thomazia Montoro relatou em depoimento que planejou o atentado por dois anos e que se inspirou nos massacres de Suzano, na Grande São Paulo, em 2019, e de Columbine, nos Estados Unidos, em 1999.
Após passar quase 10 horas na delegacia, o agressor foi levado no final da tarde desta segunda à Vara da Infância. A polícia informou que ele ainda passaria pelo Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito, e, na sequência, seria levado para uma unidade da Fundação Casa.
Estado de saúde das vítimas
O governo de São Paulo informou o estado de saúde das vítimas do atentado. Ao todo, das cinco pessoas levadas a hospitais em razão do ataque, apenas uma professora continua internada.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, a professora Ana Célia da Rosa segue em observação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e tem previsão de alta para esta terça-feira (28). Ela passou por cirurgia no início da tarde desta segunda (27) para sutura dos ferimentos.
As outras duas professoras que ficaram feridas receberam atendimento no Hospital Universitário da USP (HU) e no São Luiz. De acordo com a pasta de Saúde, elas tiveram ferimentos superficiais e já receberam alta. Também foram liberados os dois alunos que foram atendidos no Hospital Bandeirantes. Um deles foi esfaqueado e o outro ficou em estado de choque.










