O atirador de 16 anos que invadiu duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo, na sexta-feira (25), matando ao menos quatro pessoas, disse em depoimento à Polícia Civil que se preparou para os ataques com base em vídeos disponíveis no YouTube, informação que será apurada pelos investigadores.
Para o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, José Darcy Arruda, o adolescente pode realmente ter aprendido a manusear as armas com base em vídeos, mas existe também a possibilidade de ele ter recebido instruções de maneira presencial, o que será investigado.
“O adolescente disse em depoimento que aprendeu pelo YouTube, mas ele pode ter aprendido de forma presencial ou virtual. Iremos apurar como foi” confirmou Arruda.
Sobre a motivação do crime, o delegado disse ainda não ter uma conclusão.
“Ainda estamos investigando e buscando, porém a literatura nos diz que o atirador ativo geralmente são pessoas mentalmente perturbadas, se isolam e têm tendências a ligar a grupos extremistas e quando agem não tem alvo definido” apontou.
Uma coletiva de imprensa sobre a investigação está marcada para acontecer nesta segunda-feira (28), na Secretaria da Segurança Pública.
Pais tiveram que deixar cidade
A advogada que representa a família do adolescente declarou neste domingo (27/11) que os pais do rapaz deixaram a cidade por medo de sofrer alguma retaliação. Priscila Barreiros negou, no entanto, que o casal tenha sido ameaçado e disse que a decisão foi tomada para preservar a integridade deles.
“Eles tiveram que deixar a cidade no mesmo dia do fato. Tinha um clamor muito grande, palavras de ódio e não seria prudente eles ficarem na região. O casal está muito abalado, perplexo com toda essa situação. Eles, a todo o momento, se questionam onde erraram na criação do filho”, afirmou Priscila.
A família do rapaz ainda não teve contato com parentes das vítimas nem sobreviventes, mas, segundo a advogada, há o interesse de que isso aconteça futuramente. O pai do atirador é tenente da Polícia Militar do Espírito Santo, enquanto a mãe já tinha sido professora na Escola Estadual Primo Bitti, um dos locais atacados.
Feridos
De acordo com o último boletim divulgado pelo governo capixaba sobre o caso, às 18h deste domingo (27), cinco pessoas permanecem internadas após terem sido feridas no ataque.
No Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves estão duas mulheres de 45 e 52 anos. Elas seguem na UTI em estado considerado grave. No Hospital Estadual de Urgência e Emergência São Lucas está uma mulher de 58 anos em estado de saúde estável.
“Aguarda melhora de feridas em membro inferior para ser submetida à nova cirurgia” informou o governo.
No Hospital Estadual N. Sra. da Glória “Infantil de Vitória” (HINSG) seguem internados um menino de 11 anos, que evoluiu para um quadro estável e foi levado para uma unidade semi-intensiva, e uma menina de 14 anos, que está entubada em uma UTI em estado grave.
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