Campanha de Lula acusa Flávio e Vorcaro de ‘farsa’; defesa de banqueiro diz desconhecer áudio

Foto: Vittor Salles/Fotos Públicas/Ricardo Stuckert/PR

Em nota divulgada à imprensa nesta sexta-feira (9), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que o depoimento no qual o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, diz ter negociado supostas vantagens indevidas com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), é “uma farsa”.

“Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa”, diz o comunicado.

Integrantes da Polícia Federal (PF) informaram que a corporação recusou a delação premiada de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que pudessem dar credibilidade ao que ele disse.

As informações foram reveladas pela Revista Veja e mostram que o empresário teria pago R$ 30 milhões, em espécie, ao Instituto Lula para financiar a produção de um documentário sobre o presidente no exterior.

Defensor do banqueiro, o advogado Daniel Bialski disse que desconhece o suposto documento entregue pelo ex-banqueiro e o áudio divulgado pela Veja. “Nunca soube dessa história”, afirmou Bialski, que assumiu a defesa em agosto.

Bialski também disse que nunca teve acesso ao HD com os dados do telefone de Vorcaro nem aos anexos mencionados na reportagem. “Não tenho e nunca tive nem HD do telefone e nem esses anexos.”

O advogado afirmou ainda que o local onde Vorcaro está preso não permite a entrada de equipamentos eletrônicos. “Onde ele está preso não há permissão de entrada de qualquer dispositivo eletrônico, de qualquer espécie”, declarou.

A nota, assinada pela coligação que Lula faz parte nestas eleições, diz que é “estarrecedor” que a publicação “estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova” e que adotará “medidas judiciais cabíveis”.

Nesta quinta-feira (8), antes da divulgação da reportagem, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, representantes do Grupo Prerrogativas, acionaram a PF pedindo a abertura de uma investigação sobre uma suposta articulação entre Vorcaro e a campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).

O comunicado divulgado pela coligação referenda a acusação dos advogados e questiona “que benefícios Vorcaro espera obter de uma eventual mudança de governo? Vários fatos comprovam que há uma grande armação em andamento contra os interesses do povo brasileiro”.

A defesa de Lula anunciou cinco providências: pedido de direito de resposta contra a Veja; solicitação de investigação à Polícia Federal sobre as declarações de Vorcaro e a divulgação das informações; ação de indenização por danos morais contra a responsável pela publicação; pedido urgente à Justiça Eleitoral para impedir o uso das acusações na propaganda eleitoral, especialmente no rádio e na TV; e queixa-crime contra Vorcaro por declarações consideradas falsas e ofensivas à honra de integrantes da campanha.

Em maio deste ano, foram reveladas mensagens e áudios que expuseram uma negociação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro pelo repasse de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca R$ 134 milhões. Flávio diz que buscava dinheiro para o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A coligação do presidente usa deste ponto para afirmar que a reportagem se trata de “uma farsa com objetivos eleitorais” ao tentar “proteger Flávio Bolsonaro, citado em investigações sobre ligações e pedidos milionários ao banqueiro”.

PF e PGR negam depoimento

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Polícia Federal negou que o ex-banqueiro tenha prestado depoimento ou entregue material à instituição com o conteúdo descrito pela revista.

“Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”, afirmou a PF.

A corporação informou também que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa não foram acolhidas “em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa”.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) também afirmou, em nota, que as tratativas foram sempre mediadas por advogados contratados por Vorcaro e que não houve contato direto do ex-banqueiro com representantes da instituição.

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