Cresce número de hospitalizações por VSR e gripe no país

Fotos: Divulgação/IgesDF

O número de hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) aumentou no Brasil e, em algumas regiões do país, também houve mais internações por gripe causada pelos vírus influenza A e B. Os dados estão no Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (11).

A análise é referente à Semana Epidemiológica 22, período de 31 de maio a 6 de junho, período em que a queda das temperaturas pode impulsionar a disseminação dos vírus respiratórios em locais fechados e aglomerados.

O estudo verificou que 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com indícios de crescimento também na tendência de longo prazo, que considera as últimas seis semanas. São elas: Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

O InfoGripe destaca também que as demais 16 unidades da Federação apresentam indícios de interrupção do crescimento ou queda do número de casos de SRAG na tendência de longo prazo. Mas 12 delas ainda registram incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Rio de Janeiro.

Cuidados

Em 2026, já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG. Para a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, é importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar.

Segundo ela, também é importante fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado, para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, a recomendação é que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2

“E o mais importante: é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, diz Tatiana.

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a alta de SRAG em crianças de até 4 anos de idade tem sido impulsionada principalmente pelo VSR, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos.

Nas últimas semanas, também tem sido observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos. A influenza B vem apresentando aumento, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.

Distrito Federal

Mais de 8,6 mil atendimentos por sintomas respiratórios foram realizados nas unidades de pronto atendimento (UPAs) do Distrito Federal em maio. O aumento da procura, de 11,7% em relação a abril, acompanha o avanço dos quadros respiratórios registrados nesta época do ano.

Os grupos que mais buscaram atendimento foram adultos entre 20 e 29 anos e crianças de 1 a 4 anos, faixa etária mais vulnerável às doenças típicas desta época do ano.

Segundo a coordenadora médica da UPA do Gama, Juliana de Almeida Barros, as alergias também aumentam nesta época do ano. “Neste período, há um agravamento das crises asmáticas, rinite, sinusite e infecções respiratórias. Muitas pessoas chegam às unidades quando os sintomas já estão mais intensos”, adverte.

Apesar do aumento da demanda, a maior parte dos pacientes apresentou quadros considerados leves. Dados do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pelas 13 UPAs do DF, mostram que 53% dos atendimentos receberam classificação verde, destinada a casos de menor urgência. Outros 34% foram classificados como amarelos, enquanto os casos mais graves, identificados pelas pulseiras laranja e vermelha, representaram pouco mais de 9% dos registros.

Como funciona o atendimento

Uma das principais dúvidas dos usuários das UPAs está relacionada ao tempo de espera. O atendimento segue critérios clínicos definidos durante a classificação de risco, realizada logo após o cadastro.

A gerente-geral de Assistência das UPAs, Adriana Gonçalves, explica que o processo vai muito além da simples identificação dos sintomas. “Os enfermeiros avaliam sinais vitais, intensidade das queixas, tempo de evolução do problema, condições de saúde preexistentes e possíveis sinais de agravamento. É essa análise que determina a prioridade do atendimento, garantindo mais segurança aos pacientes”, explica.

Entre os sinais que recebem atenção imediata estão falta de ar intensa, dor no peito, alterações neurológicas e suspeitas de infecção grave. Nem sempre quem chega primeiro é atendido primeiro.

A especialista reforça que a ordem de chegada não é o principal critério para definir quem tem preferência no atendimento. “Nosso objetivo é identificar rapidamente quem corre maior risco de agravamento. Isso permite direcionar recursos e assistência para quem realmente precisa de atendimento imediato”, destaca.

Pacientes classificados como Pouco Urgente (verde) e Não Urgente (azul) podem seguir fluxos assistenciais diferenciados, incluindo a possibilidade de atendimento por teleconsulta, serviço disponível nas 13 unidades do DF.

“O teleatendimento atua como uma ferramenta complementar ao atendimento presencial. Após o acolhimento e a classificação de risco, os pacientes pouco urgentes ou não urgentes têm a opção da teleconsulta. Se durante a avaliação, o médico identificar a necessidade de exame físico ou de uma abordagem presencial, o atendimento pode ser convertido, garantindo a continuidade da assistência e o adequado direcionamento do paciente”, complementa Adriana.

Segundo o superintendente das UPAs, Francivaldo Soares, as unidades têm organizado seus fluxos internos para priorizar pacientes conforme a gravidade clínica e garantir atendimento oportuno aos casos mais urgentes. “Mesmo diante desse cenário, as equipes seguem atuando de forma coordenada para garantir acolhimento, classificação de risco e continuidade do cuidado aos usuários”, destaca.

 

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.