Um relato sobre um momento de descontrole do banqueiro Daniel Vorcaro dentro da cela em que cumpre prisão preventiva veio a público nesta sexta-feira (18/9) e envolve uma suposta ameaça de expor informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A versão é atribuída a um interlocutor da defesa e foi divulgada pela imprensa nacional. Segundo esse relato, o empresário estaria indignado com a manutenção da medida cautelar e teria afirmado que não pretende assumir sozinho o desgaste provocado pelas investigações da Polícia Federal.
Ainda conforme o interlocutor, Vorcaro alegaria possuir fotos, recibos de pagamentos e outros documentos que poderiam indicar relações com integrantes do Supremo, da Procuradoria-Geral da República e da própria Polícia Federal.
Nenhum desse material veio a público até agora, e as alegações não foram comprovadas. Não há confirmação oficial do episódio, e a defesa do empresário não se manifestou sobre o relato.
A suposta ameaça estaria ligada à situação do pai dele. Henrique Vorcaro está preso há mais de 90 dias e pediu ao Supremo a substituição da prisão preventiva por domiciliar humanitária, após relatar problemas de saúde.
O pedido foi protocolado na quarta-feira (16/9). Apontado pelas investigações como operador financeiro de uma milícia privada, ele cumpre a medida na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, e alega sofrer de diverticulite recorrente.
A defesa sustenta que ele “se encontra preso há mais de 90 dias, sem que se tenha constatado a aplicação do artigo 316, parágrafo único, do Código de Processo Penal”, dispositivo que obriga a revisão periódica da necessidade da prisão preventiva. Também alega que um recurso aguarda análise desde 12 de julho, sem movimentação. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, e ele deve ser ouvido pela Polícia Federal no dia 30 de setembro.
A Procuradoria-Geral da República já se manifestou contra a soltura. “Não há que se falar, assim, em revogação ou substituição da prisão, estando a custódia cautelar fundamentada”, afirmou o órgão.
Daniel Vorcaro também tenta deixar a prisão. Preso preventivamente desde março no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, ele está há seis meses sem denúncia formal, segundo a defesa, que pede a substituição da medida por recolhimento domiciliar, tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e proibição de deixar o país.
No pedido apresentado nesta semana, os advogados usam a própria crise no Supremo como argumento. O texto registra que, “na sessão plenária de 15 de setembro de 2026, a própria definição da relatoria e da competência para a condução dos procedimentos correlatos foi objeto de questão de ordem”, para sustentar que há indefinição processual no caso.










