Lula bate recorde de repasse em ano eleitoral com mais de R$ 33 bilhões em emendas

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Nesta segunda-feira (6/7), os repasses de emendas parlamentares pelo governo federal passaram a ocupar o centro do debate político após levantamento apontar que R$ 33,89 bilhões foram pagos em 2026 até a primeira semana de julho. O volume é considerado o maior já registrado para o período em um ano eleitoral.

As emendas parlamentares são recursos do Orçamento indicados por deputados e senadores para obras, serviços e programas em estados e municípios. Na prática, o parlamentar define a destinação, e o governo executa o pagamento conforme regras orçamentárias e disponibilidade financeira.

O crescimento chama atenção porque ocorreu antes do início do chamado defeso eleitoral. Desde sábado (4/7), agentes públicos passaram a cumprir restrições previstas para os três meses anteriores ao primeiro turno das eleições. Entre as limitações estão regras sobre publicidade institucional, atos de pessoal e repasses públicos, com o objetivo de evitar uso da máquina pública em favor de candidaturas.

Os dados foram levantados a partir do Siga Brasil, sistema mantido pelo Senado Federal que permite consultar informações sobre receitas, despesas e emendas no Orçamento da União. A ferramenta reúne painéis públicos para acompanhamento da execução orçamentária.

Do total pago neste ano, R$ 18,55 bilhões correspondem a emendas individuais, aquelas indicadas diretamente por deputados e senadores. As emendas de comissão somam R$ 7,68 bilhões, enquanto as de bancada estadual chegam a R$ 7,28 bilhões.

O valor também representa 75,3% de tudo o que foi pago em 2025, quando as emendas somaram R$ 44,97 bilhões. Na comparação com 2022, última eleição presidencial, o volume de 2026 já é 20,9% maior que os R$ 28,04 bilhões pagos naquele ano inteiro.

O pagamento de emendas costuma ganhar peso em anos eleitorais porque parte desses recursos chega a municípios por meio de obras, compra de equipamentos, atendimento em saúde, infraestrutura e projetos locais. Por isso, a execução antes do período de restrições passa a ser observada com atenção por órgãos de controle, parlamentares e partidos.

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