Marinho diz ter sido surpreendido pela saída de Flávio do Brasil

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta terça-feira (27/10) que foi surpreendido pela saída do aliado do país. O senador derrotado na eleição presidencial deixou o Brasil menos de 48 horas depois do segundo turno e chegou aos Estados Unidos.

Segundo Marinho, os dois haviam conversado na véspera sobre a atuação de Flávio como líder da oposição. Para o coordenador, o senador, “com os 60 milhões de votos que teve”, deveria assumir esse papel. Ele contou que recebeu uma mensagem de Flávio por volta das 8h, dizendo que iria “dar um tempo” e que voltaria a falar com os aliados depois.

Pela manhã, antes da confirmação, Marinho havia negado que Flávio tivesse saído do país. A agência Reuters informou que o senador fugiu para os Estados Unidos, o que foi confirmado por um interlocutor do governo americano. Segundo fontes ouvidas pela imprensa, ele saiu de madrugada em um voo fretado e entrou nos EUA com passaporte italiano. Flávio obteve a cidadania italiana em 2023.

O deputado federal eleito Carlos Jordy (PL-RJ) também indicou que a viagem ocorreu. Segundo ele, Flávio foi aos EUA para não ser “usado como moeda de troca” contra o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na segunda-feira (26/10), Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes à Polícia Federal (PF) e o proibiu de deixar o país. Como os documentos não foram entregues, a PF cancelou os passaportes. Em vídeo publicado no mesmo dia, o senador havia negado que pretendesse sair do Brasil e dito que cumpriria a decisão.

A ordem foi dada em um inquérito no STF que investiga Flávio e o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador também é investigado pela PF em outros inquéritos.

Até a publicação desta reportagem, não havia pedido de prisão contra Flávio. Pessoas próximas a Moraes avaliam, porém, que o ministro pode decretar a prisão e pedir a inclusão do nome do senador na lista da Interpol. A assessoria de Flávio não respondeu aos pedidos de posicionamento.

O mandato de senador de Flávio termina em fevereiro de 2027, quando ele perde o foro privilegiado.

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