Nesta quinta-feira (18/5), o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ficou em silêncio durante seu depoimento à Polícia Federal. O militar está preso desde o último dia 3 de maio após ser um dos alvos da Operação Venire.
Cid foi chamado para dar explicações no caso que apura uma suposta fraude em cartões de vacina contra a Covid-19. Ele foi questionado sobre a falsificação de dados de vacina no sistema do Ministério da Saúde, mas preferiu não responder.
O ex-ajudante de ordens chegou à sede da PF escoltado pela Polícia do Exército, visto que a custódia está a cargo dos militares.
Segundo a Polícia Federal (PF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua filha Laura Bolsonaro, de 12 anos, tiveram os dados de vacinação contra a Covid-19 alterados para simular a condição de imunizados. O ex-chefe do Executivo se pronunciou dizendo que ele e Laura não se vacinaram, e negando qualquer adulteração de sua parte.
Mauro Cid, a esposa dele e sua filha também tiveram seus cartões de vacinação alterados nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde, segundo a PF. A corporação afirma que os beneficiados poderiam usar os certificados de vacinação para “burlarem as restrições sanitárias vigentes imposta pelos poderes públicos (Brasil e Estados Unidos)” em viagens.
O secretário de Cultura e Turismo do município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, João Carlos Brecha, também foi preso suspeito de inserir possíveis dados falsos na carteira de vacinação do ex-presidente.
Brecha teria acessado o sistema do ConectSus e inserido dados de vacinação no Estado do Rio de Janeiro em outubro de 2022, entre o primeiro e o segundo turno da eleição. Pouco antes de ser preso, Brecha disse que desconhecia qualquer procedimento envolvendo seu nome e que, se fosse notificado, apresentaria resposta às suas indagações. Disse ainda que não tinha “nenhuma relação com o ex-presidente ou com sua família”.
A PF informou que as inserções falsas, que ocorreram entre novembro de 2021 e dezembro de 2022, tiveram como consequência a possibilidade de permitir que pessoas pudessem fazer a emissão de certificados de vacinação e utilizá-los para burlarem as restrições sanitárias vigentes imposta pelos poderes públicos do Brasil e dos Estados Unidos.
As ações policiais acontecem dentro do inquérito que apura a atuação do que se convencionou chamar “milícias digitais”, atualmente em tramitação perante o Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal informou que os fatos investigados configuram em tese os crimes de infração de medida sanitária preventiva, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e corrupção de menores.









