Mendonça derruba sigilo de inquérito sobre relação entre Vorcaro e Moraes

Foto: Fellipe Sampaio /STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo sobre a ação que apura mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

A decisão ocorreu pouco depois de ser revelado conversas nas quais o banqueiro pedia ao magistrado que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Diante das informações, Mendonça pediu à PGR esclarecimentos complementares sobre a mensagem. O ministro avalia a gravidade das novas revelações e chegou a considerar levar ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido formal para abertura de investigação sobre Moraes.

Mendonça também estaria mapeando os votos que poderia obter dentro da Corte para uma eventual apuração.

Mensagens antes da prisão

Outras conversas entre Vorcaro e Moraes também vieram a público nesta terça-feira. O ex-banqueiro procurou o ministro dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.

Em uma mensagem enviada em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na sequência, questionou sobre um juiz identificado como Ricardo, perguntou se o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estava ciente da situação e se seria possível fazer alguma coisa.

No dia seguinte, um dia antes da prisão, Vorcaro voltou a procurar Moraes e perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. De acordo com a investigação da PF, as conversas permitem levantar a hipótese de que o ministro tenha repassado ao empresário informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela corporação.

Contrato de R$ 131 milhões

Também veio a público informações sobre um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou que metadados do arquivo do contrato, que foi enviado por WhatsApp a Vorcaro, evidenciam que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou o ministro, na condição de marido da sócia-diretora, sobre a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação. Segundo a banca, Moraes verificou a minuta e concluiu que não havia impedimento para a assinatura do acordo.

O escritório afirmou ainda que o ministro nunca julgou no STF uma causa envolvendo o Banco Master e que os serviços previstos no contrato foram efetivamente prestados.

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