O cantor Netinho, um dos maiores nomes da axé music, morreu na manhã desta terça-feira (13/10), aos 60 anos, em Salvador. Ele estava internado desde o fim de setembro no Hospital Aliança Star, na capital baiana, para tratar um linfoma.
A morte foi confirmada pela equipe do artista nas redes sociais. Segundo o comunicado, Netinho tinha um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para insuficiência renal e falência de múltiplos órgãos. “Netinho partiu tranquilo”, informou a equipe, que lembrou uma frase repetida por ele durante o tratamento: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei”. Por desejo do cantor, o velório e a cremação serão reservados à família e aos amigos próximos.
O diagnóstico veio no início de 2025, depois de o cantor sentir fortes dores nas costas e dificuldade para andar após uma sequência de shows no Nordeste. Ele cancelou as apresentações do Carnaval daquele ano, passou por tratamento e retomou aos poucos a agenda. Em 2026, anunciou que a doença havia voltado e que precisaria de nova quimioterapia. O transplante de medula óssea com células do próprio paciente fazia parte do tratamento previsto. A última apresentação foi em outubro de 2025, em Coronel Fabriciano, em Minas Gerais.
Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, e se mudou para Salvador aos 10 anos. Começou cantando MPB e bossa nova em bares da cidade. Em 1988, assumiu os vocais da Banda Beijo, que levou o axé para todo o país com sucessos como “Beijo na Boca”.
Em 1993, lançou a carreira solo com o álbum “Um Beijo Pra Você”, que vendeu mais de um milhão de cópias e trazia “Milla”, composição de Manno Góes. A música chegou ao topo das paradas no Brasil e em Portugal e foi regravada em vários idiomas. Ainda na Banda Beijo, Netinho foi o primeiro artista brasileiro a levar um trio elétrico para fora do país, na Copa do Mundo de 1990, na Itália. Também emplacou sucessos como “Preciso de Você”, “Capricho dos Deuses” e “Estrela Primeira”.
Nos últimos anos, o cantor também se envolveu com a política. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal pela Bahia pelo PL e recebeu 31.448 votos, sem se eleger. Antes do linfoma, já havia enfrentado internações longas a partir de 2013, por complicações que ele mesmo atribuiu ao uso de anabolizantes.








