O temporal que caiu esta semana em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, fez repetir, 50 anos depois, a mesma tragédia em uma família. A administradora Cecília Fiorese, de 40 anos, é uma das mais de 100 vítimas que morreram após os deslizamentos de terra que atingiram a cidade. Por uma triste coincidência, sua avó, também de nome Cecília, de 55 anos, morreu da mesma maneira, em 1972, após um forte temporal em Petrópolis.
A neta estava na clínica onde trabalha, na Rua Teresa, a principal rua comercial da região, quando um deslizamento de terra atingiu o prédio em que ela estava, e o edifício veio ao chão.
O ex-marido da Cecília, o comerciante Alexandre Araújo Dutra, de 47 anos, relata os momentos dramáticos antes de confirmar a morte da ex-companheira.
“Estávamos separados só no papel, porque éramos muito amigos. Eu fui o primeiro a chegar no local. A gente ainda teve um suspiro de esperança, porque, por volta das 23h, funcionários da clínica disseram que chamaram ela e ela respondeu dizendo que estava com a perna presa e pediu por ajuda, mas não deu tempo” contou, em entrevista ao site Uol.
Cecília havia começado no novo emprego há 23 dias. Sua irmã, a também administradora Camila Fiorese, de 37 anos, deixou Brasília rumo à Petrópolis quando soube do ocorrido.
“A minha mãe perdeu a mãe dela, que se chamava Cecília, pelo mesmo motivo, aqui em Petrópolis, no temporal de 1972. A minha avó se chamava Cecília e morreu soterrada, a minha irmã se chamava Cecília e morreu soterrada”, disse a mulher.
Ainda segundo ela, o histórico de tragédias que atingem a família por causa dos temporais na região sustenta o desejo de retirar todos os parentes da cidade.
“A minha vontade hoje é tirar toda a minha família daqui. Cada chuva, cada relâmpago, o medo bate. Parece que o mundo vai acabar. Isso daqui não é vida. […] Eu quero tirar minha mãe daqui. Ela perdeu a mãe e agora a filha, da mesma forma. Isso não é justo”, disse a servidora pública aos prantos.
Com informações do Pleno News









