PF vai investigar interferência dos EUA na eleição

Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal vai investigar a suspeita de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, confirmou neste domingo (4/10), dia do primeiro turno, que o pedido de apuração foi encaminhado à Diretoria de Inteligência Policial. “Nós recebemos de fato uma representação da Advocacia-Geral da União sugerindo a apuração de interferência externa na eleição”, afirmou.

A declaração foi dada em entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, em Brasília, onde as forças de segurança acompanham a votação. A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) na quinta-feira (1º/10), ao classificar como “grave” a informação sobre uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral.

O pedido da AGU foi motivado por reportagem do jornal britânico The Guardian. Segundo o jornal, o Departamento de Estado norte-americano destinou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,3 milhões, a um projeto chamado “Combating Weaponized Litigation and Censorship in Brazil”, algo como “combate ao uso da Justiça como arma e à censura no Brasil”. A verba seria repassada a organizações da sociedade civil brasileiras críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Para a AGU, os recursos podem ter abastecido entidades focadas em “desestabilizar e atentar contra a institucionalidade do Poder Judiciário brasileiro”.

O repasse integra um programa de US$ 176,9 milhões, dividido em mais de 40 contratos, voltado a apoiar causas conservadoras em diferentes países, de acordo com a reportagem. Também na quinta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que as eleições brasileiras são “muito importantes” e que as acompanha de perto. Até a publicação desta reportagem, o governo norte-americano não havia comentado a investigação.

A legislação brasileira proíbe que partidos e campanhas recebam, direta ou indiretamente, recursos de governos ou entidades estrangeiras. Caberá à investigação apontar se houve ligação entre o dinheiro e a disputa eleitoral e quem foram os beneficiários.

Na mesma entrevista, Andrei Rodrigues tratou de outro caso, que corre em sigilo, sobre uma suposta ameaça à Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Segundo ele, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão no sábado (3/10), mas não encontrou “nenhum elemento concreto” de risco efetivo à representação diplomática. O diretor disse que os dois inquéritos são separados e só serão unidos se surgirem provas de ligação entre os episódios.

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