Senadores pedem ao STF acesso às mensagens trocadas entre Aras e empresários investigados

Foto: Reprodução/SCO/PGR

Nessa terça-feira (23/8), senadores da oposição solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) o levantamento do sigilo das mensagens trocadas entre o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, com os empresários que foram alvo de operação da Polícia Federal por supostamente defenderem um golpe de Estado caso o ex-presidente Lula (PT) vença as eleições de outubro.

O pedido é baseado numa notícia divulgada pelo site Jota, que revela que em alguns dos celulares apreendidos na operação da PF, há uma troca de mensagens entre os empresários e o chefe da Procuradoria. Nos diálogos, haveria críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável por autorizar a operação, e comentários sobre a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência.

Na petição, assinada por Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Humberto Costa (PT-PE) e Fabiano Contarato (PT-ES), os parlamentares argumentam que “o conhecimento público acerca dos temas tratados nas conversas é uma medida necessária, para que haja um escrutínio social e amplo das reais intenções de determinadas autoridades federais”.

Aras, além de PGR, é também o procurador-geral eleitoral. E a troca de mensagens com empresários que se tornaram alvo do inquérito que investiga atos antidemocráticos pode trazer embaraços para ele nesta posição.

Os assessores do procurador-geral afirmam que ele soube somente nesta terça (23/8) da operação e, portanto, não trocou informações sobre as diligências policiais. E afirmam que as mensagens enviadas por Aras a um dos empresários, agora alvo da investigação, são comentários apenas “superficiais”.

Em nota, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes rebateu a afirmação da PGR e disse que Augusto Aras foi informado na segunda-feira (21/8). No documento, afirma-se que “na data de ontem, 22 de agosto, segunda-feira, às 14h41, nos termos da LC 75/93, a Procuradoria-Geral da República foi intimada pessoalmente da decisão referente à Pet. 10.453, em tramitação neste SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, com a entrega da decisão proferida para a Assessoria de Apoio aos Membros da Procuradoria-Geral da República no STF, conforme consta na certidão em anexo”.

A notícia da existência das conversas veio a tona após a PF cumprir mandados de busca e apreensão contra empresários que apoiam Bolsonaro. A denúncia surgiu a partir de uma reportagem do jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, que obteve mensagens trocadas entre os empresários em um grupo privado no WhatsApp. Entre os alvos, estão: Luciano Hang, da Havan; Afrânio Barreira, do restaurante Coco Bambu; José Isaac Peres, dono da rede de shopping Multiplan; Ivan Wrobel, da Construtora W3; José Koury, dono do Barra World Shopping; André Tissot, empresário do Grupo Sierra; Meyer Nirgri, da Tecnisa; e Marco Aurélio Raimundo, da Mormaii.

A operação da PF, autorizada por Moraes, tem como uma das bases a notícia-crime apresentada na semana passada pela Coalizão para a Defesa do Sistema Eleitoral, que conta com mais de 200 entidades e movimentos sociais. Além da da busca e apreensão, Moraes determinou a quebra dos sigilos dos empresários e bloqueio das contas deles.

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