O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reagiu na quarta-feira (2/9) às cobranças para dar andamento a pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Sem anunciar uma decisão, o senador afirmou que ainda não existe previsão para a análise do tema e citou o financiamento do filme Dark Horse ao questionar a pressão concentrada sobre o ministro.
A manifestação ocorreu no plenário do Senado Federal depois de parlamentares discursarem sobre pedidos apresentados contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a sessão, Alcolumbre disse que tem recebido críticas e “agressões” por causa da condução das solicitações.
Questionado pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG) sobre a existência de um prazo para analisar um pedido contra Moraes, Alcolumbre respondeu: “Não tenho”. O presidente do Senado acrescentou que pretende falar detalhadamente sobre o assunto em outro momento.
A declaração significa que não houve, naquela sessão, anúncio de abertura, arquivamento ou inclusão de qualquer pedido na pauta. O presidente da Casa tem papel decisivo no encaminhamento inicial das petições, que podem passar por uma avaliação técnica antes de chegar à Comissão Diretora e, posteriormente, aos senadores.
Ao comentar as acusações relacionadas a Moraes, Alcolumbre introduziu outro elemento no debate. “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para fazer um filme”, afirmou. Em seguida, questionou por que, em sua avaliação, as críticas estavam direcionadas apenas ao ministro.
A referência era ao projeto Dark Horse, filme planejado para contar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações tornadas públicas sobre o caso indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) procurou o então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em busca de financiamento para a produção.
O valor mencionado por Alcolumbre é uma aproximação dos cerca de R$ 134 milhões que teriam sido negociados para o projeto. Isso não significa, porém, que toda essa quantia tenha sido desembolsada ou entregue diretamente a Flávio Bolsonaro.
As apurações divulgadas até agora apontam repasses de pelo menos R$ 61 milhões para uma estrutura financeira relacionada ao filme. A origem, a destinação e as circunstâncias das operações permanecem entre os pontos examinados pelas autoridades. Não há conclusão definitiva que permita atribuir responsabilidade criminal com base apenas nesses registros.







