Vídeo: Flávio Bolsonaro diz confiar em inocência de PM acusado de matar Ana Clara

Foto: Reprodução/TV Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender, no debate da TV Globo desta sexta-feira (23), o policial militar acusado de matar a menina Ana Clara, de 5 anos, com tiros de fuzil em 2021. A defesa foi feita diante da mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, que acompanhava o debate e teve a presença anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula levantou o caso durante a discussão sobre ensino integral. “Por que um senador da República ajuda um assassino a não ser julgado? O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil em uma menina de cinco anos?”, perguntou o presidente ao adversário.

Ao responder, Flávio Bolsonaro se dirigiu a Cristiane, mas a chamou pelo nome da filha. “Ana Clara, quero falar com a senhora, deixo minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filha de cinco anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e de 12. Era uma troca de tiros. Eu quero ajudar a achar o autor desses disparos, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial”, disse o senador.

Lula rebateu. “Eu fico pensando no povo que está nos assistindo agora, vendo esse rapaz. Todo mundo sabe a relação dele com muita coisa ruim aqui no Rio de Janeiro. Não sou eu quem falo, é a imprensa que fala todo dia. Todo dia ele defende miliciano, dando emprego para mãe e irmã do dono do Escritório do Crime”, afirmou. Segundo as investigações do caso da “rachadinha”, o gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) empregou a mãe e a ex-mulher do ex-capitão Adriano da Nóbrega, apontado como chefe da milícia, como mostra o histórico do senador com milicianos.

O caso Ana Clara

Ana Clara foi morta em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava na porta de casa em Niterói (RJ), atingida por dois tiros de fuzil. O cabo da PM Bruno Dias Delaroli foi preso em flagrante. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) o denunciou por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou se assume o risco de matar, e a Justiça decidiu que ele deve ser julgado pelo Tribunal do Júri. Delaroli responde ao processo em liberdade desde novembro de 2021.

Em 2024, quando já era senador, Flávio Bolsonaro passou a integrar a equipe de defesa do policial, de forma gratuita, e assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir o júri popular. O pedido foi negado. O julgamento, que estava marcado para a última quarta-feira (21), foi remarcado para 5 de maio de 2027.

Veja o vídeo:

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